quarta-feira, 30 de julho de 2014

Curiosidades: o início do transporte coletivo no Rio de Janeiro

Na imagem, um ônibus francês da época do primeiro ônibus carioca,
provavelmente semelhante aos que foram utilizados aqui.

Com uma frota de milhares de ônibus de todos os tipos e tamanhos, que superlotam todas as vias da cidade - seja as de bairros mais afastados do centro da cidade, seja na afobação do centro financeiro, comercial e de negócios - fica bem difícil hoje em dia imaginar que nada disso existia há cerca de 100 anos. O que pode ser considerado como o "primeiro ônibus" que circulou no Rio de Janeiro, em julho de 1838, se assemelha a uma carruagem grande, com dois andares e tração feita por dois cavalos à frente. Foram apenas dois destes veículos da chamada "Companhia de Ônibus" - concessionária do serviço - que iniciaram o transporte coletivo no Rio, ligando o centro da cidade a Botafogo, ao Engenho Velho (atual Tijuca) e a São Cristóvão.

Um estacionamento de "gôndolas fluminenses".

Antes ainda da entrada dos bondes em cena, houve um tipo de veículo de menor porte que o "ônibus" puxado a cavalo, que também fez parte da frota de coletivos da cidade: as chamadas "gôndolas fluminenses" comportavam apenas nove passageiros e se assemelhavam a um carro de passeio. O valor do bilhete era inferior aos dos ônibus e por isso fizeram sucesso. Dom Pedro II ainda não era o imperador quando a licença para circulação de tal meio de transporte foi emitida e, apesar das cinco gôndolas aguardadas, somente duas efetivamente circularam pela cidade.

O bonde elétrico no Rio.


O primeiro bonde do país começou a circular em nossa cidade em janeiro de 1859, em caráter experimental. Dois meses depois, com a presença do então Imperador e sua esposa, a chamada “Companhia de Carris de Ferro da Cidade à Boa Vista” começou a operar de forma regular. Em 1862 a tração animal foi substituída pelo vapor, e o primeiro bonde elétrico do Brasil e da América do Sul fez seu trecho inaugural - entre o centro da cidade e o Largo do Machado - 20 anos depois, em 1892. O bonde elétrico pertencia à "Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico", pois a Cia. Cidade à Boa Vista faliu em 1866.

Registrados por Marc Ferrez, os Arcos da Lapa à época em que foram adaptados
para receber os bondes que iam do Morro de Santo Antônio, no Centro do Rio,
ao bairro de Santa Teresa.

Os únicos bondes mantidos em funcionamento em todo país até os dias atuais foram os de nosso bairro, Santa Teresa. Seus serviços nunca foram interrompidos, apesar de grande pressão nesse sentido ao longo de muitas décadas. A Companhia Ferro-Carril Carioca iniciou o serviço de bondes no bairro na década de 1870, eletrificou as linhas em 1896, e ainda aproveitou o antigo aqueduto da época do Brasil Colônia como via de acesso ao bairro. Também conhecido como “Arcos da Lapa”, o aqueduto foi o responsável pela bitola especial dos bondes de Santa Teresa: 1,10 metros.

Tristemente, em agosto de 2011, já sob gerenciamento da Secretaria de Transportes do estado do Rio de Janeiro, os bondes de Santa Teresa interromperam seus serviços devido a um grave acidente com um deles, com 57 feridos e 6 mortos. Mesmo assim, a esperança de vê-los novamente em bom estado e transportando os visitantes e moradores do bairro persiste e, de fato, o governo do estado iniciou as obras de recuperação dos equipamentos necessários à circulação dos bondes no fim de 2013.


Fonte: Minasbus MG

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Um novo "arraiá"

Toda a equipe reunida para registro de nosso "arraiá"
Neste ano repetimos o sucesso de nossa Festa Julhina (mostrada aqui), e aproveitamos bastante todas as brincadeiras e guloseimas desse tipo de evento. Como o dia marcado foi de chuva, tivemos que permanecer na varanda de nossa Sede Administrativa - a Casa de Bernardina - um tanto apertados, mas animados como sempre!

A "noiva", bastante produzida, na hora de jogar o buquê.

O casamento caipira com "cross dressing" - troca de roupas (e de papéis!) entre homens e mulheres - já é uma "tradição" em nossa festa e, ao que parece , vai continuar sendo: nosso recepcionista Paulo novamente encarnou "a noiva", enquanto "o noivo" foi assumido pela recepcionista Ariana. E, desta vez, nosso colaborador Edivaldo assumiu o papel de "pai da noiva", de forma bastante zelosa.

Os aniversariantes de maio...


... junho e julho comemoraram bastante.

Muitas comidinhas típicas passaram pela grande mesa montada para a festa e ainda comemoramos os aniversários de três meses juntos: maio, junho e julho. Certamente foi mais uma oportunidade de encontro e confraternização entre todos os servidores de nosso museu.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A Santa Rede na FLIST 2014


Logo na entrada principal o símbolo do CEAT: idealizador e realizador do evento.

A Santa Rede - Rede das Instituições e Produtores Culturais de Santa Teresa - teve neste ano uma pequena participação na FLIST - Festa Literária de Santa Teresa. Para quem desconhece a rede e o evento, segue abaixo uma breve memória...

A Santa Rede foi criada em maio de 2013, em reunião aqui mesmo em nosso parque, quando, em parceria com o Museu da Chácara do Céu, convidamos instituições culturais e congêneres de nosso bairro, além de produtores e promotores culturais independentes, que também residam ou atuem em Santa Teresa, a conversarmos no sentido de estabelecer trocas mais frequentes e intensas entre estes agentes de cultura, formando parcerias para a realização e divulgação de eventos conjuntos. Para saber maiores detalhes, confira este post aqui.

Barraquinhas de comidas típicas (ou não!), de livros usados ou de livrarias, de brechós e de artesãos
do bairro se concentraram na parte baixa do Parque das Ruínas, onde se realizou o evento.

Em sua quinta edição, a FLIST foi criada a partir da ideia de alunos e professores do CEAT - Centro Educacional Anísio Teixeira, que também faz parte da Santa Rede - e já é consagrada no calendário de nosso bairro e até mesmo no da cidade. Além da homenagem a autores contemporâneos , o lançamento de diversas publicações, sessões de autógrafos e o debate de ideias entre autores e personalidades ligadas à cultura, a Festa também agrega uma feira de livros - novos e usados - exposições de arte, um restaurante "pop-up", que funciona apenas nos dois dias da feira, algumas barraquinhas com artesanato, brechó e comidinhas - todas do bairro - e algumas apresentações de música e dança. Enfim: um grande encontro de tudo o que pode ser pensado como "cultura" em Santa Teresa.

Deste modo, nada mais natural que a Santa Rede também fizesse parte deste universo, divulgando ao público eventos e atividades das instituições e produtores associados, fazendo contato com possíveis novos membros e com outras entidades que podem se tornar parceiras, de acordo com a capacidade de organização de nossa - ainda pequena - rede de cultura.

Nossa simpática barraquinha pela manhã: com direito à pequeno tear do lado direito que nos ajudou a "tecer parcerias".

Tivemos uma barraquinha muito simpática junto às demais, recebemos visitantes e distribuímos nossos folders com programação de vários de nossos associados. Foi muito gratificante perceber que o conjunto das instituições culturais falando em conjunto para o público, ecoa mais poderosa e mais efetiva. Também foi bastante interessante notar as demandas do público e de outras instituições que visitaram a pequena tenda. Ou seja, um grande exercício de se tornar conhecido e também de conhecer uma série de elementos que podem se tornar "molas propulsoras" de ideias, eventos, parcerias e realizações diversas.

Esperamos estar novamente na FLIST do ano que vem: não perca!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

1º Pic-Nic de Troca de Sementes e Mudas: um dia de festa em nosso Museu!

A mesa do Pic-Nic em grande estilo: frutas, sucos e comidinhas saudáveis.

Conforme o post convite que fizemos aqui mesmo, você sabe que no último dia 4 de maio realizamos o 1º Pic-Nic de Troca de Sementes e Mudas em nosso parque. O evento idealizado pelo grupo paulista "Árvores Vivas" foi o primeiro do gênero realizado no Rio de Janeiro e comemorou a chegada do outono ao hemisfério sul. Muita gente passou por aqui e aproveitou uma coisa ou outra, conforme seu interesse.

Na barraca da Associação Agroecológica de Teresópolis, legumes e verduras orgânicas mostravam sua beleza.

Logo cedo a Associação Agroecológica de Teresópolis, convidada a participar do evento, montou sua barraca oferecendo frutas, verduras e legumes orgânicos. Outros comestíveis como compotas e geléias também foram oferecidos, além do famoso suco verde feito por "dona" Ana, que montou seu espaço em nossa cozinha.

Todos os ingredientes à postos para preparar o famoso suco verde de Dona Ana.

O pessoal da associação trouxe muitas sementes tanto para troca, quanto para doação. Imagine ganhar de presente uma semente de Acelga para plantar numa pequena horta dentro de casa e colher a verdura sempre? Pode ser difícil conseguir algo assim, devido à falta de sol ou de nutrientes para o solo onde a semente for plantada, mas não custa tentar, não é?

As sementes que chegavam eram arrumadas em um banco ao redor de uma frondosa árvore
de nosso parque em baldes ou pequenos frascos, com indicação do que eram (foto menor).
... e os grupos de interessados iam se formando e conversando sobre hortas, plantas, pragas, adubação, etc...

Houve muita troca de informação entre os adultos que formaram círculos de conversa sobre plantas e sementes. Outros aproveitaram e fizeram "a feira" na barraquinha da associação. E outros ainda aproveitaram para conhecer o Museu e as trilhas do parque.

Manfred Berg inicia sua oficina em nosso canteiro ecológico.
As crianças brincaram muito por todos os lados, mas foi na hora da Oficina Prática de Montagem de Minhocário e Composteira, dada por Manfred Bert do Minhocário Arboreum, que elas mais se divertiram. O "tio" foi bastante prático e brincalhão com todas elas e soube equilibrar bom humor com informações que todos aproveitaram. Ficamos sabendo por exemplo que as minhocas genuinamente brasileiras são muito grandes e por isso não servem para minhocários pois não produzem húmus suficiente - somente "trabalham" na terra. Já suas "irmãs" importadas são menores, o que permite uma concentração maior de sua população dentro de um espaço exíguo como o de um minhocário, produzindo mais húmus, em consequência.

A mesa de Pic-Nic arrumada logo na entrada do evento esteve "florida": muita gente trouxe sua contribuição em forma de suco, chá ou sanduíche, além de pães, bolos e frutas - a maior parte feita de forma caseira ou de empresas que já fabricam produtos orgânicos.

A diferença de tamanho entre a minhoca brasileira - à esquerda - e a americana -
à direita: as menores podem ser utilizadas em minhocários.

Foi realmente um evento de muito sucesso e muito agradável a todos, em que estiveram presentes, cultura, ecologia, sustentabilidade, conscientização ambiental - e também um pouquinho de "degustação". E, temos certeza, será apenas o início de vários eventos do tipo em nosso parque.


Nota Importante: para saber quando haverá nova troca de sementes acesse o blog do evento, mantido pela associação Árvores Vivas, que agora vem realizando-o evento trimestralmente aqui no Rio.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O Dia Nacional do Pau Brasil

Olá, como vai? Estamos retomando nosso blog aos poucos, depois de tantas paralisações...

Uma frondosa árvore de Pau Brasil em toda a sua beleza...

Você sabia que o dia 3 de maio é consagrado à árvore do Pau Brasil? Sim, aquela mesmo que deu origem ao nome de nosso país, "Brasil", que existia em abundância em nosso litoral, o que impressionou os portugueses que aqui chegavam. A data foi estabelecida pela Lei nº 6.607, de 7 de dezembro de 1978, que também declara o Pau Brasil como Árvore Nacional.

Os botânicos deram-lhe o nome de "Caesalpinia echinata, Lam.", sendo o gênero "Caesalpinia" dedicado a Andréas Caesalpino botânico italiano que viveu no século XVI; "echinata" significa "ouriço", lembrando a grande quantidade de espinhos localizados no tronco e nos galhos adultos da árvore; e "Lam.", a abreviatura do botânico francês Jean Baptiste Antoine Pierre Monnet Lamark, que conferiu a denominação botânica. Os indíos o chamavam de "Ibiripitanga", sendo "ibyri" = pau, madeira, e "pytã" = vermelho, portanto "pau vermelho", em alusão à cor vermelha de seu cerne.

... e nosso espécime que fica quase em frente ao Museu Casa.

O brasilianista Gilberto Freyre afirma que, para erguer conventos, igrejas, palácios, e toda a bela arquitetura do Brasil colônia, além de seus barcos e navios, o Pau Brasil - bem como outras madeiras nobres de nossa Mata Atlântica - foi utilizado à exaustão pelos colonizadores e conta um capítulo da história da exploração econômica do Brasil pela Metrópole.

Atualmente em extinção, o Pau Brasil foi "salvo pelo gongo", como se diz, e pelos músicos, em particular! É que, ainda no século XVIII, luthiers franceses consideraram que sua madeira é a que possui a melhor relação entre densidade e flexibilidade de todas as madeiras conhecidas. E hoje em dia os arcos de violinos e violoncelos utilizados por grandes músicos são feitos a partir do Pau Brasil.

Detalhe das folhas.

E é por isso que agora o Pau Brasil possui proteção internacional, com regulamentação de seu comércio. O corte da árvore vermelha já era limitado no país desde 1992, quando ela foi considerada oficialmente ameaçada pelo IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - e toda extração de Pau Brasil da mata atlântica passou a depender de autorização do órgão. Hoje em dia o chamado "Programa Pau Brasil" possui apoio de empresas nacionais e internacionais como a ABA - Associação Brasileira de Archeteiros, a IPCI-USA - Iniciativa Internacional para Conservação do Pau-Brasil - Estados Unidos, a IPCI-Alemanha e a Confederação de Artesãos e Usuários de Recursos Naturais da França (Comurnat).

E nosso museu, além de ser uma casa onde todas os símbolos de nosso país são lembrados, destacados e conservados, possui algumas árvores de Pau Brasil em nosso parque. Uma delas foi transplantada para um local logo na entrada do parque, mas ainda se ressente da mudança - está sendo tratada com muito carinho e empenho para que continue a se desenvolver, "firme e forte", como se diz. Uma outra fica logo em frente à casa histórica, e é uma arvoreta ainda pequena, que não cresce mais devido à sombra que as demais que a rodeiam projetam sobre ela. Uma terceira foi localizada em uma parte do parque que não é facilmente acessível e, esta sim, tem o porte de um Pau Brasil adulto - cerca de 8 metros de altura. E agora, simbolicamente plantamos mais uma muda, em uma das trilhas do platô superior do parque, bem no dia 3 de maio de 2014, comemorando a data.

Detalhe de um arco de violoncelo feito em Pau Brasil.

Agora que você conhece um pedacinho da história do Pau Brasil, não deixe de conhecê-la, ler sobre ela e, quem sabe, plantar uma nova muda em seu jardim!

*Esta nota foi composta com dados do texto de Osvaldo Martins Furtado de Souza encontrado em http://www.ufrpe.br/artigo_ver.php?idConteudo=1263 em 30/06/2014

O autor é Engenheiro Agrônomo, professor aposentado da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, um dos criadores da campanha nacional em prol da preservação do Pau Brasil, autor de diversos trabalhos publicados, Membro titular da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica e um dos baluartes da causa agronômica no Estado de Pernambuco, destacando-se especialmente pela sua luta e ações em prol da preservação de algumas espécies, como o Pau Brasil.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Evento em nosso parque: Pic-Nic de Troca de Sementes e Mudas



Você gosta de plantas e flores, costuma cultivá-las e tem, em casa, diversos vasos, canteiros, jardineiras, entre outros espaços para ver estes lindos seres crescerem? Então você vai adorar o 1º Pic-Nic de Troca de Sementes e Mudas que vai ocorrer no próximo dia 4/05, domingo, a partir das 10 da manhã, em nosso parque. A ideia é do grupo paulista Árvores Vivas, que já realizou este evento 15 vezes em São Paulo - veja tudo neste blog - sendo um a cada mudança de estação, em um parque da capital paulista.

O evento se destina ao encontro das pessoas com a natureza das cidades e, longe de pregar simplesmente uma "fuga" de nosso ambiente do dia a dia - praticamente sem contato com a natureza - estimula que a levemos para nossas casas e apartamentos, e que convivamos, de acordo com a possibilidade de cada espaço, com o que há de verde nas cidades. A ideia é também a de troca de experiências no trato de plantas, de receitas de produtos mais naturais (orgânicos por exemplo), e de fazer novos amigos, é claro!

Foto do 9º Pic-Nic de Trocas de Saberes, Sementes e Mudas em São Paulo, organizado pelo Árvores Vivas.

Além do troca troca de sementes e mudas - e doação, se você tiver em quantidade - vai ter também uma feirinha de produtos orgânicos: frutas, legumes e verduras cultivados naturalmente, além de sucos e alimentos produzidos como manda a mãe natureza, trazidos pela Associação Agroecológica de Teresópolis.

A programação organizada por nosso museu prevê:
  • Visita mediada ao nosso canteiro ecológico, que possui berçário de mudas, horta, compostagem e horto;
  • Plantio de mudas;
  • Lanche coletivo para o qual solicitamos que os participantes contribuam com um alimento natural: frutas, salgados, sanduíches e sucos.

Que tal um lanche orgânico no lugar do almoço de domingo?

E nosso museu casa estará aberto especialmente pela manhã, a partir das 10h, com fechamento normal às 17h. Venha participar e conhecer um admirável mundo novo da natureza dentro da cidade!

Update 30/04: incluída na programação do museu uma Oficina Prática de Montagem de Minhocário e Composteira! Quem quiser participar e puder, guarde nesta semana e leve para o evento restos orgânicos, como cascas de frutas (evitem cítricos), de legumes e folhagens que sobrarem (evitem também coisas cozidas e temperadas). Assim teremos material para a oficina. Até lá!

Update 02/05: veja abaixo algumas dicas para quem vier ao evento.
1. Quem desejar pode trazer toalhas ou cangas para usar no parque. Teremos algumas mesas para apoiar os alimentos ofertados mas, pelo número de confirmações até o momento, será necessário que nos acomodemos pelo jardim;
 

2. A Associação Agroecológica de Teresópolis trará cestas orgânicas para venda, quem deseja aproveitar, pode trazer sua sacola. Eles oferecerão também suco verde, mudas e bate-papo para tirar dúvidas sobre hortas etc.

3.Quem vier de ônibus poderá pegar o 014 ou 006 na avenida Graça Aranha, no Centro. Há um ponto bem em frente ao museu: é o quarto ponto de ônibus da rua Monte Alegre;

4. Quem vier de carro deve seguir pela Rua do Riachuelo e virar à direita na Rua Monte Alegre. Pelo número de pessoas confirmadas, não será possível estacionar dentro do museu, já que o espaço de estacionamento será usado para o evento. Permitiremos a entrada e saída de veículos para descarga de material. A Rua Monte Alegre atualmente tem mão única até o museu e há vagas para estacionamento do lado esquerdo da via. Clique no link abaixo para ver mapa para chegar ao local: 


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Conhecendo Mario Baldi - parte 2

Leia o post anterior sobre o assunto

Continuando a primeira parte deste post, transcrevemos aqui a segunda parte do texto redigido por nosso servidor Marcos Lopes sobre seu trabalho de doutorado, onde focalizou a trajetória do fotógrafo austríco Mario Baldi em terras brasileiras. Vamos lá?

"O primeiro projeto fotográfico no Brasil e o vínculo de Baldi com o príncipe D. Pedro, filho da princesa Isabel, organizam algumas questões da tese, envolvidas com a busca de um lugar estável no campo de possibilidades fluido e sofrido como é o dos imigrantes. Cruzando narrativas com fotografias, faço um balanço da produção da primeira experiência de documentação de Baldi, nos anos 1920.


O jornal "A Noite" e a revista "A Noite Ilustrada": veículos brasileiros por onde circularam imagens de Baldi.


No trabalho tive a intenção de localizar a alteridade cultural em duas linguagens diferentes, a etnográfica e a fotojornalística. A ideia surgiu da atuação de Mario Baldi em projetos fotográficos e suas veiculações nas revistas ilustradas cariocas. A presença do fotógrafo entre os índios Bororo e os padres salesianos para produzir um filme sobre colonização dos religiosos (até hoje não localizado) gerou um conjunto de fotografias interessantes que ilustram os encontros culturais entre brancos e índios nos anos 1930.

Na medida em que Baldi apresenta as fotografias desse projeto ao mercado editorial brasileiro, destaco a publicação "A Noite Illustrada", suplemento do jornal "A Noite", que surge em 1930 e contrata Mario Baldi como fotógrafo. A revista A Noite Illustrada por si, somente poderia receber um estudo de caso, pois teve uma duração relativamente longa e é pouquíssimo citada na historiografia brasileira.


Centenária Índia da tribo Bororo clicada por Mario Baldi - circa 1935.

A segunda metade da tese é dedicada ao estudo de séries de fotografias representativas da diversidade cultural brasileira, levando-se em conta o agenciamento e circulação das imagens. O conceito chave nesta parte é o de imaginação geográfica, que considero ter estruturado não só os olhares e narrativas de Baldi, mas as tendências editoriais das revistas e as tradições visuais sobre o interior do Brasil. Nesses casos, são significativas as fotografias feitas para "A Noite" dos trabalhos do Serviço de Proteção ao Índio.

No final do texto fazemos uma viagem à Ilha do Bananal, em 1938, entre os índios Carajá. A ideia é analisar as imagens, sua circulação na imprensa e sua retomada ao longo dos anos 1940, quando são publicadas no livro de Mario Baldi. Com duas versões, uma brasileira ("Uoni-Uoni conta sua história", 1950) e outra alemã ("Uoni-Uoni oder die letzten Indianer am großen Wasser", 1952), o livro é um bom exemplo para entender o que Baldi pensava sobre a alteridade cultural e étnica no Brasil.

Como construção, cada ato fotográfico e cada pose contam uma história diferente. Não há fórmula ou rótulo fixo para uma fotografia. Se, por um lado, a câmera e a imagem técnica funcionam como uma extensão do olho do observador, uma prótese óptica que congela uma ideia, ela também testemunha reações, intervenções e ilustram – no sentido de esclarecer – as relações sociais das quais é o suporte.

A historiadora Ana Maria Mauad defende a ideia de que a história contemporânea pode ser contada em imagens, devido ao papel central que a fotografia desempenha na formação de uma memória compartilhada pelas sociedades. O que tentei alcançar no percurso deste trabalho foram os dois lados dessa relação: como as imagens feitas por Mario Baldi compuseram o repertório visual sobre a alteridade cultural no Brasil; e como o crescente uso da imagem técnica a fez passear pelos mais diversos suportes midiáticos, desde palestras ilustradas, revistas até a literatura, o que nos permite abordar, através de uma trajetória individual, a especificidade de uma experiência histórica."

terça-feira, 15 de abril de 2014

Conhecendo Mario Baldi - parte 1

Entre os índios Bororo de Mato Grosso. 1934-35. Coleção Mario Baldi, Weltmuseum Wien.
Criar uma tese de doutorado partindo do pouco ou quase nada que se sabe a respeito de um assunto não é um desafio dos mais fáceis. Mas existem pessoas que, pelo prazer do saber, se dedicam a elas com todo afinco. Conforme noticiamos no início deste mês, nosso historiador Marcos Lopes é um desses apaixonados pelo conhecimento que decicidiu pesquisar a trajetória do fotógrafo austríaco Mario Baldi para nos mostrar o quanto ainda desconhecemos nossas próprias raízes, nosso próprio povo. Pedimos a ele então que elaborasse um texto bem básico e bem simples sobre sua tese a respeito, para que divulgássemos ainda mais o conhecimento sobre Baldi. Marcos nos preparou um texto magnífico e bem detalhado sobre todo o assunto. Leia a primeira parte a seguir:

"A pesquisa sobre o fotógrafo e jornalista austríaco Mario Baldi, que viveu no Brasil a partir de 1921 até 1957, começou sem aviso prévio. Em 2006, quando buscava documentos para uma pesquisa encomendada sobre um bairro rural da cidade de Teresópolis, num pequeno arquivo público, me deparei com algumas fotografias de 1922 que representavam tropeiros de batatas, com suas mulas. Eram imagens feitas pelo austríaco e que, como soube em seguida, faziam parte de uma coleção de milhares de fotos pouco catalogadas e nunca antes estudadas.


Nosso historiador Marcos Lopes, acompanhado pelo fotógrafo Leonardo Wen, analisando fotos de Mario Baldi.


Mario Baldi, nascido na Áustria e falecido no Brasil, foi um fotógrafo esquecido após a morte e amplamente desconhecido até meados da década de 2000. Alguns fatores contribuíram para isso, como as circunstâncias da sua morte e a trajetória dos seus documentos, fotografias e negativos. Durante os anos de 1954 e 1956, Etta Becker-Donner, então diretora do Museu de Etnologia de Viena (atual Weltmuseum), visitou o Brasil a fim de fazer trabalhos de campo etnográficos, linguísticos e arqueológicos no território de Rondônia. Na ocasião, adquiriu de Mario Baldi 30 fotografias produzidas entre os índios Bororo, Carajá e Tapirapé e levou para Viena a primeira fração da produção do fotógrafo. Em 1959, dois anos depois o trágico falecimento do fotógrafo entre os Tapirapé, o museu vienense recebeu parte de sua herança. Ainda que as condições deste envio e recebimento não estejam completamente esclarecidas, há boas chances de o prévio encontro entre Becker-Donner e Baldi ter contribuído para o deslocamento de parte da coleção para a Áustria. A parte do material recebido por Viena era composto por 386 objetos etnográficos da tribo dos Carajá e o que parecia ser seu arquivo fotográfico: quatorze caixas contendo ampliações ordenadas tematicamente, folhas-contato organizadas em cartões, mais de dez mil negativos e uma quantidade pequena de diapositivos. Apesar das inscrições esporádicas no verso das ampliações, o acervo não dispunha de informações documentais escritas, o que fez com que fosse catalogado de maneira primária, ainda que o seu valor e interesse tenham reconhecidos a partir do conteúdo visual da coleção.


Indiozinho Carajá retratado próximo à câmera de Baldi.


Passados quase 30 anos e sem o conhecimento do museu vienense, no fim dos anos 1980 o Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (SPHAC) da Secretaria de Cultura da Prefeitura de Teresópolis (cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro) recebeu, do escritor e médico Arthur Dalmasso (1920–2006), a outra parte da herança de Mario Baldi. A doação de Dalmasso incluía não só ampliações fotográficas e folhas-contato, mas também artigos ilustrados, cartas, diários e toda sorte de documentos próprios dos arquivos pessoais.

Nesta época, o SPHAC estava ainda começando suas atividades no campo da preservação dos acervos históricos da cidade de Teresópolis, cidade por onde Baldi circulou e residiu nos últimos anos da sua vida. O conjunto dos seus documentos foi o primeiro a compor um fundo arquivístico completo da instituição. A professora Regina Rebello, responsável pela recepção da doação e pela organização preliminar do material, observou que o acervo se tratava de uma preciosidade para a história local, pois continha relatos sobre a região serrana do Estado do Rio de Janeiro, especialmente sobre Teresópolis, feitas na década de 1920 por Baldi. Além disso, a diversidade cultural brasileira representada em milhares de fotografias de diversas regiões do país e um inédito diário da Primeira Guerra Mundial completavam o tesouro histórico e cultural que seria doravante preservado. Hoje sabemos que existem mais de 7.000 fotografias (entre contatos fotográficos e ampliações) na parte brasileira da coleção Mario Baldi.


Folha de Contato de Mario Baldi sobre os índios Carajá, datada de 1938, pertencente
ao Acervo Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Teresópolis.

A Tese de Doutorado em História Social que acabo de defender tem como título "Mario Baldi: fotografias e narrativas da alteridade na primeira metade do século XX". Minha intenção foi estudar como Baldi representou a alteridade cultural no Brasil, ou seja, como via, fotografava e narrava a existência de indivíduos que eram considerados “diferentes” e, mesmo assim, faziam – ou deveriam fazer – parte de um mesmo Brasil. Nesse sentido, selecionei as imagens e reportagens que tratavam dos índios brasileiros."

Continua...