terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Revendo 2014

Um "ponto alto" deste ano: a intevenção Artística "Um Jantar com Benjamin".

Um ano como nunca. Mas, qual ano é igual a outro que passou? Nenhum deles, não é mesmo? Pois aqui em nosso museu, 2014 também foi diferente de tudo o que veio antes. E, através de nosso blog, podemos recuperar alguns momentos mais importantes e mostrar a vocês um "pequeno balanço" do que foi feito. Vamos a ele!

Em janeiro ainda falávamos sobre "acontecimentos de 2013": além da receita do "Bokhasi" - adubo orgânico de origem japonesa - que nos foi passada em outubro, na comemoração de 31 anos de vida de nosso museu casa pelo produtor rural Sr. Alexandre Lopes - tivemos também um evento de encerramento da intervenção artística "Amor,". Foi o "finissage" da mostra que distribuiu muito afeto por todos os lugares do museu, para todos que aqui estiveram.

O "Primeiro Troca Troca de Livros Infantis", capitaneado pela escritora
Janine Rodrigues, agitou os parque do Museu logo em janeiro.

Entramos mesmo no novo ano com o Primeiro Troca Troca de Livros Infantis que teve lugar em nosso caramanchão. Organizado pela escritora Janine Rodrigues, foi um belo momento para verificar quantos eventos do tipo podem ser criados pensando nos pequenos, e na natureza que, aqui, nos abençoa em abundância. Continuando com o tema "natural" fechamos o mês com os "Flamboyants em Flor", tanto aqui no parque do Museu quanto por todo o bairro de Santa Teresa.

Em fevereiro três posts começaram a contar um pedacinho da história de nosso museu casa. Nosso historiador, Marcos Lopes, iniciando uma ampla pesquisa sobre o tema (ainda em andamento), nos falou sobre alguns destaques da formação do museu. Uma outra nota importante foi sobre a máquina de datilografia que ocupa o escritório gabinete de nosso patrono: não, ele não a utilizou, mas sim seu sobrinho, Amilcar Botelho de Magalhães, que trabalhou com o Marechal Candido Rondon, que por sua vez foi aluno e discípulo de Benjamin Constant. É muita história ligada a uma "simples" máquina de escrever...

Nosso "Doutor Verde", o historiador Marcos Lopes - de preto - e a banca que aprovou seu novo título.

Em abril tivemos o prazer de comemorar o doutoramento de nosso historiador, Marcos Lopes. Com uma tese sobre o trabalho do fotógrafo austríaco Mario Baldi no Brasil, o título foi defendido perante banca da Universidade Federal Fluminense - UFF com muito sucesso e, a partir da mesma, divulgamos em nosso blog um pouco sobre os registros pioneiros de nossa terra e de nosso povo feitos pelo fotógrafo, que viveu aqui entre as décadas de 1920 a 1950.

Muita gente prestigiou o 1º Pic Nic de Trocas de Mudas e Sementes em maio.

De volta no mês de julho, registramos um importante evento ocorrido em nosso parque nos primeiros dias de maio: o 1º Pic-Nic de Troca de Sementes e Mudas, idealizado pelo grupo paulista Árvores Vivas, foi o primeiro do gênero realizado em nossa cidade e comemorou a chegada do outono. Entre as atividades, houve feira de orgânicos e degustação de suco verde, além de uma palestra com Manfred Bert sobre... minhocas! As crianças presentes adoraram ver e até mesmo tocar nos bichinhos, além de entender sua importância para o arejamento do solo.

Neste mesmo mês tomamos parte da FLIST - Festa Literária de Santa Teresa - através da Santa Rede - Rede das Instituições e Produtores Culturais de Santa Teresa - da qual somos membros. Vale a pena ver de novo também o post sobre o início do transporte coletivo no Rio de Janeiro, curiosidade que nos revela que carruagens e bondes foram dos primeiros meios de transporte em massa da população.
O pouquíssimo conhecido plano inclinado de Santa Teresa foi objeto de duas notas em agosto.

Em agosto cabe destacar os posts sobre o pouco conhecido "Plano Inclinado de Santa Teresa", que se localizava em frente à nossa casa histórica, e o testemunho muito especial de um menino: Benjamin Fraenkel, neto de Benjamin Constant, que utilizou tal meio de transporte e acesso para chegar à casa de seu avô.

A 24ª edição do evento "Arte de Portas Abertas" em Santa Teresa ocorreu logo no início de setembro e trouxe a nosso parque a mostra "Tudo Que É Sólido Se Desmancha No Ar", onde quatro artistas plásticos, comandados pela curadora Ziza Dourado, aceitaram o desafio de mostrar que o sólido pode sim, ser bastante leve. Instalações e esculturas foram bastante admiradas por nossos visitantes durante um mês, até 12 de outubro.

Você sabe o que é um "gomil" e sua "bacia"? Um post dos mais interessantes do ano foi publicado em agosto.

Na oitava edição da Primavera de Museus, ainda em setembro, realizamos nosso primeiro concurso cultural: um concurso de fotos "selfie", onde o busto de Benjamin Constant - que fica defronte a nossa casa histórica - deveria aparecer. Foi o desafio que lançamos aos nossos visitantes. Infelizmente, devido a uma série de fatores, a participação foi diminuta e apenas a vencedora do concurso, Kamylle Amorim, enviou uma foto de acordo com as regras que adotamos.

Outubro, mês de aniversário de nosso museu, é sempre muito movimentado. Neste ano, particularmente, como programamos alguns eventos de produção um tanto complexa, nosso envolvimento foi maior. E, além da programação do mês, realocamos nosso Acervo Documental junto ao Acervo Bibliográfico em nossa sede - a já conhecida "Casa de Bernardina" - e realizamos uma pequena atividade para marcar a passagem do "Outubro Rosa". E, exatamente em 18 de outubro - aniversário de Benjamin Constant e do Museu - inauguramos a intervenção artística "Um Jantar Com Benjamin".

Um post sobre os "notáveis" escolhidos para participar da mostra "Um Jantar com Benjamin" foi destaque em fins de outubro. Os positivistas franceses - inspiradores de Benjamin Constant - Auguste Comte e Claudete de Vaux, estiveram "presentes"!

A mostra ocupou a Sala de Jantar de nossa Casa Histórica com muito glamour: peças em vidro artesanal reciclado do artista plástico Paulo Vergueiro guarneceram a mesa do jantar de aniversário de nosso patrono acompanhadas por algumas peças clássicas de nosso acervo. Chamou atenção a beleza do serviço em vidro colorido - primordialmente em verde e amarelo, conforme linha criada pelo artista para este ano, inspirado pela Copa do Mundo e pelas Eleições para Presidente no Brasil. A partir desta montagem, realizamos uma atividade lúdica, dirigida tanto aos visitantes da casa quanto os que nos acompanham via internet: em uma mesa de 12 lugares, um deles foi deixado vazio com a indicação de "O Convidado Desconhecido". Cabia aos visitantes indicar, em uma pequena cédula, quem gostariam de ver completando a mesa. Nenhuma restrição de época, sexo ou campo profissional foi feita para a indicação deste convidado. E daí as respostas foram bastante variadas e muito interessantes - confira o post completo a respeito aqui.

Permanecemos durante um mês com a mesa do jantar montada para visitação, até o mês de novembro. E na Semana da República - que, neste ano, convencionamos aconteceria entre 15 e 23 de novembro - realizamos mais um evento no dia 19/11, o Dia da Bandeira.

Dia 5 de novembro, Dia Nacional da Cultura: destaque em nosso blog.

Muito gentilmente, as crianças do Coral do Ballet de Santa Teresa, vieram cantar o hino nacional e o hino à bandeira durante seu hasteamento. Houve acompanhamento musical feito pelo trumpete de nosso colega Edivaldo Amaral e, ao fim da pequena cerimônia, o que passamos a chamar de "O Sorvete do Imperador" (sorvete de pitanga, o que mais agradava ao Imperador Dom Pedro II, ofertado pela empresa Mil Frutas), foi servido aos pequenos em comemoração. Nesta nota você lê tudo a respeito.

Também em novembro destacamos os "Sítios Históricos da República", aqui
no Rio de Janeiro. A Igreja Positivista - ora em reforma - é um deles.

Em novembro também recebemos convite para participar de uma atividade muito importante: a Igreja Positivista, passando por um período de renovação, está firmando um Termo de Cooperação Técnica, que será assinado pelas diretoras Elaine Carrilho, de nosso museu, e Magaly Cabral, do Museu da República, visando à identificação e tratamento de seu acervo. E desta forma, (novamente...) Marcos Felipe, nosso historiador, esteve no templo para, efetivamente, "colocar a mão na massa", isto é, participar de um pequeno mutirão de limpeza do acervo que se encontra dentro do prédio, que entrará em obras completas de recuperação. Fez-se necessário um bocado de panos, escovas, água, sabão, muita boa vontade e muito carinho pela história para fazer uma primeira limpeza de tudo, de modo a transportar as peças para outros locais onde ficarão guardadas durante o período de obras do prédio.

E para coroar um ano tão prolífico, tivemos um dezembro igualmente movimentado: o fundo de documentos Agliberto Xavier foi devidamente colocado à disposição para consultas em nosso arquivo histórico e - surpresa das surpresas! - um chapeu que pertenceu a nosso patrono, vendido por uma de suas filhas a um museu do Paraná, em meados dos anos 1950, retornou à sua origem. O professor curitibano Arthur Virmond Neto fez questão de trazê-lo aqui em nosso museu para doá-lo a nosso acervo! Foi emocionante receber mais um fragmento da vida daquele a quem, diariamente, cultuamos a memória.

Agorinha mesmo, em meados de dezembro, o destaque foi um chapeu
que pertenceu a Benjamin Constant, de volta ao acervo.

Ufa! Quanta coisa aconteceu, hein? E muitas outras nem foram citadas aqui... O tempo voa, o tempo urge, e já, já é 2015. Um ano que, esperamos, seja tão produtivo quanto este. Nossa previsão é de realização de boa manutenção em nosso parque e de alguns acertos no museu casa, mas você ficará sabendo de tudo através de nossas mídias sociais - visite nossa página no Facebook e/ou nosso Twitter pois este blog entra em recesso por hora.

Desejamos a todos um Feliz Natal e um  
Ano Novo cheio de alegrias!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Nova peça no acervo: um chapeu histórico!

Uma preciosidade em nosso acervo: um "novo" chapeu que pertenceu a Benjamin Constant!

Uma novidade e tanto em nosso museu neste finzinho de ano: o professor, advogado e ensaísta Arthur Virmond Neto, natural de Curitiba, travou contato conosco através dos eventos ligados à renovação da Igreja Positivista (veja post aqui), e revelou que possuía uma raridade que pertenceu a nosso patrono, Benjamin Constant. Um chapeu de três bicos armado!

O momento da doação com a presença de Luis Antonio Santos, nosso chefe de serviço,
o historiador Marcos Lopes, o doador, o professor Arthur Neto, e nossa diretora, Elaine Carrilho.


A peça foi vendida na década de 1950 pela filha mais nova de Benjamin Constant, Araci Botelho de Magalhães, ao Professor David Antonio da Silva Carneiro, que possuía um museu em Curitiba, estado do Paraná, com diversas peças históricas como esta. Com o fechamento deste museu, parte de seu acervo foi transferido ao governo do estado do Paraná, enquanto o chapeu foi destinado ao Centro Positivista do Paraná, onde o doador foi presidente. Passados cerca de dez anos, o professor Arthur resolveu doar o chapeu a nosso museu, por ser exatamente o local de culto à memória de seu legítimo proprietário. Certamente, ficamos encantados com a iniciativa.

Agora a peça passará por etapas de higienização, restauro, registro histórico e pesquisa sobre sua composição, ano de fabricação, entre outras informações. Concluído esse processo teremos mais uma história para contar. E mais um detalhe da vida de Benjamin Constant em nosso museu casa. Um super presente de Natal, não é?

Atualizado em 22/12/2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Novo fundo em nosso Arquivo Histórico: Agliberto Xavier

Imagem de nosso acervo fotográfico do engenheiro e discípulo de Benjamin Constant,
Agliberto Xavier, que agora tem um fundo de documentos específico em nosso Arquivo Histórico.

Nascido no Rio de Janeiro em 1869, Agliberto Xavier formou-se pela antiga Escola Polythécnica do Rio de Janeiro, onde foi aluno de Benjamin Constant. Trabalhou como Engenheiro civil e foi um dos maiores defensores póstumos de nosso patrono, sempre divulgando seu legado político e filosófico. Envolveu-se com associações de caráter positivista e proferiu diversos discursos em homenagem e defesa de seu “mestre”, Benjamin Constant. A proximidade entre Agliberto Xavier e a família do seu professor fez com que parte do seu arquivo pessoal se juntasse ao conjunto de documentos preservados pelos descendentes de Benjamin Constant e que hoje dá base ao novo fundo de documentos de nosso Arquivo Histórico.

Cabe explicar que um fundo arquivístico é um tipo de organização, uma categoria de conjuntos de documentos, que segue as "leis" da arquivologia:
1 - Respeito à procedência e
2 - Respeito à ordem original.

Ou seja: a ideia é manter juntos documentos que foram gerados por uma mesma pessoa física ou jurídica ("Lei da Procedência") e organizar o fundo com a ordem que o produtor deu, que pode ser cronológica, temática, etc. ("Lei da Ordem Original"). Segundo nosso historiador Marcos Lopes, "nosso trabalho é preservar isso, já que não só a unidade documental é um testemunho, mas também a organização como um todo pode testemunhar escolhas do produtor quanto ao sentido que desejou dar aos documentos".

Um documento do Fundo Agliberto Xavier.


Mas, voltando à novidade, o novo fundo de nosso Arquivo, chamado "Agliberto Xavier" é composto por dois principais tipos de documentos: cartas e textos, que contêm artigos e discursos que versam sobre o Positivismo, sua realidade na sociedade brasileira e a defesa da atuação de Benjamin Constant na propagação de tal doutrina filosófica.

O grupo de documentos é pequeno - apenas 62 foram catalogados - mas a importância do fundo é bastante grande para nosso Arquivo, já que evidencia como o Positivismo se desenvolveu após a passagem de nosso patrono, através de seus alunos e seguidores.

Novamente, Marcos Lopes esclarece: "Eu destacaria os documentos do "Clube Republicano Benjamin Constant", grupo Positivista composto por amigos e ex-alunos de Benjamin que se propunha a divulgar o Positivismo. Tal clube se comunicava com o "Groupe D´Action Positiviste", de Paris, que era dissidente do pensamento positivista francês dominante à época. Recentemente, alguns itens dessa série já possibilitaram um intercâmbio de documentos e informações entre nosso museu e a "Maison Auguste Comte", em Paris".

Em resumo, um belo trabalho de catalogação e mapeamento histórico feito por nossa equipe, agora disponibilizado a estudantes e pesquisadores.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Quem deve ser o "convidado desconhecido"? Resultado da enquete

O "grande vencedor" da enquete: o "eu" - a maior parte dos
votantes gostaria de participar de "Um Jantar com Benjamin".

Durante a intervenção artística "Um Jantar com Benjamin" realizamos uma pesquisa que mexeu com a memória e as ideias de nossos visitantes: deixamos um dos lugares à mesa vago, aguardando um "convidado desconhecido", que foi indicado por cada um que passou pela mostra. Não fizemos qualquer restrição a esta pessoa, que poderia ser brasileira ou não, ter vivido antes, durante ou após o período de vida de nosso patrono. A ideia era estimular a imaginação de quem passou pela mostra para que pensasse quem poderia tornar o "jantar" ainda mais interessante, lembrando que a mesa estava composta pelo aniversariante - Benjamin Constant - e sua esposa - Maria Joaquina - e também por Lauro Sodré, Julio de Castilhos, Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, Auguste Comte, Clotilde de Vaux, Pinheiro Machado, Marechal Deodoro e pelo Imperador Dom Pedro II. O resultado da enquete foi muito interessante e mostramos aqui um pouco do que pensaram nossos visitantes.

Surpreendentemente, o "campeão de votos" foram... Os próprios visitantes. 15 pessoas votaram em si mesmas para fazer parte do jantar, revelando um grande interesse pela história ou pela participação em um momento histórico.

O ex presidente Lula Ignácio da Silva: um vencedor.

Mas o personagem mais votado, foi o ex-presidente Lula. Carismático e ainda fazendo parte do cenário político do país - a enquete ocorreu durante o período das eleições deste ano - recebeu nada menos que 10 votos. Já a presidente reeleita Dilma Roussef, teve 5 votos, sendo a terceira mais votada. A surpresa aconteceu justamente aí: Tiradentes, considerado um verdadeiro heroi nacional, foi muito lembrado pelos votantes, recebendo 6 votos e sendo o segundo mais votado, portanto. Um bom sinal de que a história do Brasil não saiu das mentes das pessoas...

O desconhecido Atila Faria recebeu 4 votos e o célebre Machado de Assis veio logo atrás com 3 votos - de fato, vivendo à época da Proclamação da República, deveria ser interessante testemunhar um diálogo entre o sagaz escritor e os positivistas à mesa... Com dois votos, empatados em quarto lugar, vieram os poetas Castro Alves e Carlos Drummond de Andrade, o ex presidente Getúlio Vargas, o cientista político, historiador e "imortal" (membro da Academia Brasileira de Letras), José Murilo de Carvalho, a patronesse das artes em Santa Teresa no século XIX, Laurinda Santos Lobo, a Princesa Isabel, e Roberto Carlos - não sabemos se os votos se referem ao cantor, ou ao jogador de futebol...

Considerado um heroi nacional, Tiradentes foi o segundo
mais votado na enquete no museu.

Como em qualquer votação, houve três votos nulos - em pessoas que já estavam no jantar: Maria Joaquina, Lauro Sodré e Quintino Bocaiúva - além de 9 votos em branco. Mas também sugestivos foram os votos que consideramos "exóticos" e elencamos abaixo. Confiram:

  • um pacifista
  • filósofo
  • presidente
  • a pessoa que inseriu o bonde em Santa Teresa
  • mediador espiritual
  • Giovanna do forninho
  • os recém libertos. ex-escravos
  • uma pessoa do povo
  • Lulu
  • Besouro - capoeirista
  • o povo
  • Fatima (minha filha)

Chiquinha Gonzaga: as mulheres foram bem votadas, mas só a pianista teve dois votos via internet.


Muitas outras personalidades foram lembradas, recebendo um voto cada uma: entre eles Freud, Cristóvão Colombo, a escritora e filósofa francesa Simone de Beauvoir, o ex presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador Cristóvão Buarque, a poetisa Cora Coralina, o cantor Caetano Veloso, Zumbi dos Palmares, Leonardo da Vinci e até a comediante Dercy Gonçalves.

As respostas à enquete feitas via internet formam um número bem restrito e pouco representativo: apenas 17 votos, a maior parte diferentes entre si, onde se destacam o pacifista indiano (e político), Gandhi, o ocultista, mago e místico Aleister Crowley, o educador e político Darcy Ribeiro, as pianistas Chiquinha Gonzaga (com 2 votos) e Nair de Tefé - que casou-se com Hermes da Fonseca, presidente do Brasil entre 1910 e 1914, logo após o primeiro período republicano, do qual Benjamin Constant tomou parte - o jurista, político e jornalista republicano e abolicionista Aristides Lobo e alguns próximos ao nosso patrono, que claramente poderiam ser convidados à mesa, tal como o aluno e discípulo Marechal Rondon, uma de suas filhas, Bernardina Botelho de Magalhães, e o positivista e amigo pessoal, Raimundo Teixeira Mendes.

Doutor Freud: um dos poucos estrangeiros lembrados na enquete.

Acreditamos que o exercício de visitar uma reunião de notáveis e pensar em uma outra pessoa que pudesse completar este encontro foi muito interessante para quem esteve na mostra. No futuro vindouro, certamente criaremos outras oportunidades de interação como esta em nosso museu casa.

Nota Importante: após um resorteio, Jane Lima ganhou a bandeja cedida gentilmente por Paulo Vergueiro, artista plástico vidreiro que criou as peças contemporâneas expostas na intervenção artística.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Comemorando a Semana da República

Um grande grupo de pacientes, médicos e funcionários do Posto de Saúde de Santa Teresa
veio passar a manhã do dia 19 de novembro, dia da bandeira, em nosso parque.

Na última semana comemoramos um bocadinho nossas "datas de referência": no dia 15 de novembro, a Proclamação da República, foi marcada pela distribuição de nosso mini catálogo a todos os visitantes. Já no dia 19, o Dia da Bandeira, houve várias atividades.


Pela manhã, um grupo do Posto de Saúde Ernani Agrícola - que atende nosso bairro - fez um verdadeiro roteiro em nosso museu: marcando o Dia Mundial do Diabetes (14/11), houve caminhada no parque, lanche saudável no caramanchão - acompanhado por suave música ao vivo - e visita à casa histórica. Foram momentos muito agradáveis para pacientes, médicos e funcionários do posto, que também nos alegraram muito. Ao final, todos levaram uma muda de nosso canteiro ecológico, pensando em uma vida mais verde e com mais saúde.

O coral do Ballet de Santa Teresa preparado para entoar os principais hinos de nosso país.

À tarde as crianças do Coral do Ballet de Santa Teresa soltaram a voz: acompanhadas por nosso servidor Edivaldo Amaral, também músico profissional, cantaram o Hino Nacional e o Hino à Bandeira, de modo muito formoso! A bandeira foi hasteada pelas crianças da Creche Monte Alegre, que juntaram-se à comemoração.

Nosso servidor e músico, Edivaldo Amaral, se preparando para acompanhar o coral infantil
com seu trumpete - ao fundo as crianças, da Creche Monte alegre junto à bandeira.

Logo após a criançada teve uma surpresa: baseados na mostra "Um Jantar com Benjamin" - que esteve montada na sala de jantar de nossa museu até o último domingo - pedimos o apoio da Sorveteria Mil Frutas, que nos apoiou generosamente, oferecendo aos pequenos cantores um delicioso sorvete de pitanga - sabor de preferência do Imperador Dom Pedro II, que esteve "presente" na mostra, com lugar especial na cabeceira oposta a Benjamin Constant. A sobremesa prevista para o "jantar" era, obviamente, o sorvete.

O pequeno Jonas, do coral do Ballet,feliz com o sorvete de pitanga da Mil Frutas.

Após a cerimônia e o "sorvete do Imperador", as crianças visitaram a casa histórica, onde lhes foi apresentado, além do ambiente de uma casa do século XIX, a memória do aniversário de Benjamin Constant, na mostra montada na sala de jantar, e da criação da bandeira, bordada pelas filhas de nosso patrono.


Uma das turmas da Creche Monte Alegre também veio aproveitar as festividades e saboreou o sorvete do Imperador.


Recebemos também a visita de alguns membros da Igreja Positivista que, neste momento, se prepara para obras de recuperação do também chamado "Templo da Humanidade", com o apoio do Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM e da Superintendência de Museus do Estado do Rio de Janeiro, (leia mais neste post). Os visitantes participaram da cerimônia de hasteamento da bandeira nacional - cujo lema , "Ordem e Progresso", vem do Positivismo - e realizaram visita a nosso museu casa.

Membros da Igreja Positivista e de nosso museu em foto com o busto de Benjamin Constant.

Foi um dia de muito patriotismo e de muito carinho com as memórias republicanas, abarcando desde a lembrança do imperador - que era um progressista, e até pensava na república como um caminho para o país onde nascera - passando pela luta de Benjamin Constant e seus companheiros para a instauração da República, fechando com uma homenagem à bandeira nacional, um símbolo de nosso país.

http://www.milfrutas.com.br

Agradecemos a MIL FRUTAS por todo apoio ao evento.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sítios históricos da República no Rio de Janeiro

Capital do Império e centro nervoso de toda a política em nosso país à época da Proclamação da República, o Rio de Janeiro concentra alguns pontos de interesse históricos quando se fala no assunto. Nesta semana em que comemoramos os 125 anos da mudança do regime, mostramos alguns desses lugares que formam um verdadeiro Circuito Histórico da República Brasileira.

Uma das raras fotos do interior da Igreja Positivista.

Igreja Positivista - Fundada em maio de 1891 por Miguel de Lemos, foi o primeiro edifício construído no mundo para difundir a "religião da humanidade", de acordo com a filosofia positivista. É uma construção das mais interessantes mas, conforme post que publicamos este mês, hoje, o também chamado "Templo da Humanidade" - localizado na rua Benjamin Constant, na Glória - está sendo recuperado em uma ação conjunta da Igreja Positivista, do Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM e da Superintendência de Museus do Estado do Rio de Janeiro e, portanto, não está aberta à visitação.
Contato: ipb@igrejapositivistabrasil.org.br

Uma visada diferente de nosso Museu Casa

Museu Casa de Benjamin Constant - nosso museu casa foi a residência de um dos pilares da renovação do regime: Benjamin Constant, que recebeu o título póstumo de "Fundador da República", realizou aqui alguns encontros políticos da maior importância para a república nascente. A casa foi adquirida pelo Patrimônio Histórico logo após seu falecimento, ainda antes da promulgação da primeira Constituição Republicana, em 1891, e mantida como usufruto da família até 1961, quando então começou a ser restaurada para transformar-se no que é hoje: um ponto dedicado a manter acesa a memória de um dos principais personagens de nossa história.
Rua Monte Alegre, 255 - Santa Teresa - Rio de Janeiro - RJ.
Visitas de quarta a sexta das 10h às 17h e aos sábados e domingos das 13h às 17h.
Tels.: (21) 3970-1168 e (21) 3970-1177 - e-mail mcbc@museus.gov.br


O famoso palacete cor de rosa do Itamaraty no Rio
Museu Histórico e Diplomático do Itamaraty - um palacete localizado em pleno centro do Rio, verdadeira joia do estilo Neoclássico de fins do século XIX, foi construído a pedido de Francisco José da Rocha, o Conde de Itamaraty, e projetado por José Maria Jacinto Rebelo, que estudou com Grand Jean de Montigny. Oitavo prédio a ser tombado a nível federal em nosso país, o palácio foi ocupado pelo novo governo republicano que o ocupou até 1897, momento em que passou ao Ministério das Relações Exteriores.
Avenida Marechal Floriano, 196 - Centro - Rio de Janeiro - RJ.
Visitas guiadas com duração de 45 minutos - Tel.: (21) 2253-2828
Site: www.itamaraty.gov.br

Dentro do "Campo de Santana", o Monumento a Benjamin Constant.

Praça da República - Monumento a Benjamin Constant - conhecida atualmente no Rio de Janeiro como "Campo de Santana", a praça teve seus jardins projetados pelo francês Glaziou - praticamente o mestre dos jardins públicos no Brasil no século XIX. Trata-se do local onde foi proclamada a República em 15 de novembro de 1889, e por isso foi chamada durante muito tempo de "Praça da Aclamação". É onde ergue-se um monumento a nosso patrono, Benjamin Constant. Construído em granito e bronze, tem em seu topo a "Estátua da Humanidade", com traços de Clotilde de Vaux, musa inspiradora de Auguste Comte, criador do Positivismo.
Aberta todos os dias, das 9h às 17h.

Vista noturna da Casa de Deodoro, no Rio.

Casa de Deodoro - local de importância fundamental no processo republicano, a residência do Proclamador da República, Marechal Deodoro da Fonseca, foi local da definição do primeiro ministério republicano, já antes da proclamação em si, no dia 9 de novembro. No dia 19 de novembro também foi o local onde se decidiu o novo desenho da bandeira nacional.
Praça da República, 197 - Centro -Rio de Janeiro - RJ - Tel.: (21) 2222-0126
E-mail chd@fortedecopacabana.com

A imponência neoclássica do Palácio do Catete ou Museu da República.

Museu da República - Chamado de "Palácio Nova Friburgo" no período imperial, transformou-se em Palácio do Catete, após a Proclamação da República. Coração do poder executivo no país até 1960, foi palco de inúmeras articulações políticas, tais como as declarações de guerra à Alemanha em 1917, e ao Eixo em 1942, além de fatos marcantes em nossa história, tais como o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954. Com a transferência da capital para Brasília, foi transformado em Museu da República a pedido do então presidente, Juscelino Kubitschek. O atual museu foi inaugurado em 15 de novembro de 1960 e tem em seu acervo diversas obras de arte, mobiliário e documentos fundamentais da história do Brasil republicano.
Rua do Catete, 153 - Catete - Rio de Janeiro - RJ. Tel.: (21) 3235-2650.
Site - http://museudarepublica.museus.gov.br

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

165 anos do Instituto Benjamin Constant: uma referência

Uma maquete do Instituto Benjamin Constant que mostra bem a grandiosidade do prédio que o abriga.

Apesar de ter sido comemorado em 17 de outubro último, os 165 anos do Instituto Benjamin Constant não poderiam "passar em branco" em nosso blog. Nossos recepcionistas - e técnicos em turismo - Ariana Costa e Paulo Ribeiro, realizaram uma visita guiada ao prédio do Instituto, para conhecê-lo melhor, e nos trazer um pedacinho desta comemoração que, com certeza, é mais um louro na memória de nosso patrono, Benjamin Constant. Confiram o que eles viram:

Quem passa pela Avenida Pasteur, no charmoso bairro da Urca, não imagina o tamanho da importância de um de seus prédios para a educação do país. O Instituto Benjamin Constant - IBC é um dos centros de referência de toda América Latina em saúde e educação para deficientes visuais. Inaugurado em 1854, comemora seus 165 anos de existência oferecendo todo o suporte aos seus alunos: de uma vida saudável à educação integral.

Os alunos do Instituto Benjamin Constant contam com modernos aparelhos para
os auxiliarem a perceber melhor o mundo e facilitar seu aprendizado.


O IBC oferece desde simples consultas e exames ligados à visão humana, passando por tratamentos que buscam recuperar ou minorar problemas de visão, até inserir ativamente na sociedade aqueles que efetivamente se tornam deficientes visuais. No Instituto existem diversos tipos de trabalhos sociais, tais como a conversão de materiais da linguagem escrita para o sistema braille ou para arquivos de áudio, amplo aparato tecnológico que possibilita ampliação de publicações para portadores de baixa visão, e sistemas integrados a microcomputadores que proporcionam melhor utilização por parte dos alunos desta ferramenta tão básica na atualidade.

Um dos principais espaços do Instituto é a "Biblioteca Louis Braille" que oferece acesso diversificado de títulos para todas as idades. Estabelecida em um anexo ao prédio principal, a biblioteca recebe doações de livros em braille da Fundação Dorina Nowill, que trabalha com a conversão de grandes nomes da literatura brasileira e internacional, oferecendo assim o que há de melhor e mais atual para os alunos do Instituto. Em outros espaços do prédio foram montados outros ambientes importantes para o treinamento dos alunos, tais como as salas sensoriais de biologia e geografia além do Teatro Benjamin Constant.

Uma das cabines de áudio descrição no Instituto.

Além de doações, o IBC também recebe patrocínio de grandes empresas para desenvolver projetos como a oficina de cerâmica, que permite aos alunos expressar artisticamente a sua forma de "ver" o mundo.

Como podem perceber, o Instituto que leva o nome do nosso patrono conta com um programa amplo e com profissionais que se esforçam todos os dias para formar cidadãos independentes para aproveitar cada momento da vida. Vida longa ao Instituto e que venham muitos outros anos de existência!

Na sala da Oficina de Cerâmica, o resultado do trabalho dos alunos, estimulados também em termos artísticos.


Para saber mais sobre Benjamin Constant e o Instituto que leva seu nome, leia este post aqui.

Notas importantes:
1 - Como sempre lembramos, nosso museu foi a casa onde Benjamin Constant viveu. Portanto, sua memória como professor do Instituto dos Meninos Cegos (denominação do Instituto Benjamin Constant à sua época), como militar combatente na Guerra do Paraguai, e como um dos principais revolucionários da implantação da República no Brasil, permanece lembrada aqui em cada peça, em cada detalhe, em cada trabalho. Já o Instituto que ora falamos continua a desenvolver o trabalho que nosso patrono efetuou em vida, ainda no século XIX, na área de educação e formação de deficientes visuais;

2 - Assim sendo, quem precisar de consultas, exames ou qualquer outra ação que tenha a ver com a área médica, ou com a educação de deficientes visuais, deve entrar em contato com o Instituto, através de seu site ou telefone geral: (021) 3478-4442.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ação na Igreja Positivista

Marcos Felipe de Brum Lopes 

A Igreja Positivista - ou "Templo da Humanidade" - fica na rua Benjamin Constant, na Glória, Rio de Janeiro.


Que o nosso museu – e o nosso patrono – têm tudo a ver com o Positivismo, muitos já sabem. Benjamin Constant conheceu a doutrina positivista através de seus estudos de matemática, e dela não se afastou até o fim de sua vida.

Elaborado pelo pensador francês Auguste Comte, o Positivismo foi um conjunto de doutrinas filosóficas com desdobramentos culturais e políticos que marcou profundamente o século XIX. No Brasil, chegamos a ter um "Apostolado Positivista" (com a missão de catequizar a sociedade e disseminar seus ensinamentos), além de um "Templo da Humanidade", também conhecido como Igreja Positivista Brasileira, a IPB.

Nosso historiador, Marcos Felipe, "com a mão na massa", ajudando a higienizar as obras da IPB.


Os que já passaram pela Rua Benjamin Constant, na Glória, talvez tenham percebido a fachada imponente do Templo da Humanidade, com suas máximas filosóficas “O Amor por princípio, a Ordem por Base e o Progresso por fim” e “Os vivos são sempre, e cada vez mais, governados necessariamente pelos mortos”. Curiosidade não deve faltar a quem contempla o prédio de fora, já que há muito tempo ele está de portas fechadas. A fachada um tanto mal tratada e a estrutura escorada nos levam a pensar sobre as razões pelas quais uma edificação tão única se encontra nesse estado. Mas é exatamente aí que está a novidade.

Está em curso uma ação conjunta da Igreja Positivista, do Instituto Brasileiro de Museus - IBRAM e da Superintendência de Museus do Estado do Rio de Janeiro, cujo principal objetivo é a reestruturação do Templo. Na sexta-feira, 10 de outubro, o historiador que ora vos escreve, participou da transferência de parte do acervo iconográfico que se encontrava no interior do Templo, agora acondicionado num anexo. Os quadros passaram por uma primeira etapa de higienização. O acervo, que conta com obras de Eduardo de Sá e Décio Villares, será totalmente removido nos próximos dias para que o Templo seja preparado para obras de restauro.

A dimensão de alguns quadros do "Templo da Humanidade".

Como instituição que tem no Positivismo uma de suas temáticas, festejamos e parabenizamos os envolvidos nesse esforço de preservação e restauração de um exemplar ímpar do patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Nota: Ontem, 10/11, um mês após este primeiro "encontro de instituições" na Igreja Positivista - com o objetivo de efetuar uma vistoria e uma higienização básica visando as obras de restauro do templo - aconteceu o seminário “Positivismo Ontem e Hoje”, organizado pela Fundação Casa de Rui Barbosa, pelo Consulado Geral da França e pela Igreja Positivista do Brasil. O evento contou com a participação de pesquisadores brasileiros e do filósofo francês Jean-François Braunstein, presidente da Maison Auguste Comte em Paris, e a IPB apresentou seu projeto de restauração e revitalização do Templo da Humanidade. Aos poucos vamos contando tudo por aqui.

Para saber mais sobre Positivismo, clique aqui.