quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Revendo 2015

Dois dos tucanos que visitam nossas árvores: neste ano, um pequeno registro.

Um ano como nenhum outro. Claro, dirão todos, todo ano é diferente do outro... Mas, sem dúvida, 2015 ficará registrado em nossa história como um ano diferente. Um tanto sofrido, um tanto ansioso, mas ainda assim, um ano de realizações. Neste post fazemos nossa pequena retrospectiva do ano, trazendo apenas algumas poucas lembranças registradas em nosso blog. Vamos a ela?

Em janeiro, poda parcial no parque.

Um dos principais trabalhos que realizamos neste ano foi a poda parcial que efetuamos em nosso parque. Muito ainda precisa ser feito, mas este foi um início do que se planeja para mantê-lo em perfeitas condições de fruição por parte de todos - inclusive da fauna "doméstica", que nos brinda com visitas diárias!

A já famosa Escadaria do Selaròn
Em março, nossos recepcionistas (e turismólogos) Ariana Santos e Paulo Ribeiro fizeram uma pequena e interessante pesquisa sobre a Escada do Selaròn, um dos principais pontos turísticos de Santa Teresa, que não é bem sinalizado. Quem é do bairro sabe, mas quem chega de longe e quer visitar a atração acaba "se perdendo" em meio a tantas ruas, vielas e ladeiras de nosso bairro. E por isso a dupla "colocou a mão na massa", como se diz, e mostrou inclusive como se chega no local partindo do Centro da cidade ou de nosso Museu Casa.

O Passaporte dos Museus Cariocas: um sucesso!

Em abril o destaque fica por conta do Passaporte de Museus: iniciativa da Prefeitura da cidade e do Comitê Rio 450 anos, em parceria com o IBRAM - autarquia a qual somos vinculados - obteve muito sucesso e muita procura. A população ficou instigada por ter o seu e por "carimbá-lo" em todas as instituições culturais que aderiram a ele, inclusive nosso museu. E, em 2016, tem mais! Aguardem...

Em abril. o outono chegou.

No mesmo mês fizemos um belo registro do outono que vinha chegando em nosso parque. Com as mudanças climáticas as estações do ano estão um tanto confusas mas, pelas imagens, dá para notar que um ventinho frio e um pouco mais de umidade no ar estava "fechando o verão".

A Banda "Elektromato" tocou no evento da Semana de Museus

Em maio, a 13ª Semana de Museus movimentou nosso parque: com o tema "Museus para uma Sociedade Sustentável", convidamos o Núcleo Santa Teresa da Rede Ecológica a criar um evento com atividades que envolvessem diversos aspectos da sustentabilidade. De caminhada ecológica por nossas trilhas a palestra sobre reaproveitamento de água da chuva, houve de tudo um pouco, inclusive venda de orgânicos e degustação de "Alimentos Vivos". Foi bom vivenciar vários aspectos do tema, tão em evidência em todo o mundo, e verificar que temos caminhado na direção de uma vida mais de acordo com nossos recursos naturais, apesar de ainda faltar muito para um perfeito equilíbrio.

Palestra sobre nosso preservação e conservação de nosso acervo no Forte de Copacabana.

Em junho, a convite do Museu Histórico do Exército e da sociedade museológica da cidade, participamos da 19ª Jornada Técnica, que teve como temas a preservação e conservação de acervos museais. A museóloga Elaine Carrilho, nossa diretora, proferiu palestra sobre o assunto no auditório do Forte de Copacabana, atraindo muitos profissionais e estudantes da área.

Durante a Oficina de Barrogravura, adultos e crianças deixaram sua marca na argila.

Em julho o já consagrado "Arte de Portas Abertas" trouxe a nosso museu três oficinas que arrebataram adultos e crianças: a artista plástica Cristina Felício mostrou como se trabalha com Barrogravura e o trio formado pela artesã e bordadeira Miriam Freitas e pelas arte educadoras Beth Araújo e Martha Loureiro comandou dois encontros: para crianças, fazer Brinquedos de pano, foi uma maravilha. À tarde todos se inspiraram para criar "Paineis Poéticos". Tudo com reciclagem de tecidos, linha, agulha e cola.

Marcos Lopes, historiador, e Murilo Haiter, estagiário no verdadeiro
mutirão" de profissionais que está reorganizando a Igreja Positivista.

Em agosto nosso museu se engajou num trabalho muito importante: a recuperação do chamado "Templo da Humanidade", a Igreja Positivista, cuja sede encontra-se no bairro da Glória, aqui no Rio, na rua Benjamin Constant"! Sem os cuidados adequados, peças de arte e documentos que contam um pouquinho sobre nossa história no século XIX estavam se perdendo. Até mesmo uma parte do teto da construção desabou, e como Benjamin Constant foi um dos expoentes desta filosofia nos sentimos compelidos a colaborar com o que fosse necessário. Nosso historiador, Marcos Lopes, participou ativamente de todas as atividades, inclusive ajudando na "faxina geral" a que o lugar foi submetido.

Marcos Lopes montando a vitrine sobre Rondon para a Primavera de Museus.

Em setembro a Primavera dos Museus teve como tema "Museus e Memórias Indígenas" e tivemos o prazer de mostrar uma peça pouco lembrada de nosso acervo: a máscara mortuária do Marechal Rondon, pioneiro na lida com os silvícolas e desbravador do território nacional. Uma personalidade e tanto que esteve no rol de alunos ilustres de nosso patrono. Além de aluno, Rondon era amigo da família de Benjamin, estando sempre presente em sua casa histórica com sua família. A máscara que fez parte de uma pequena mostra em nosso museu foi presenteada pela família do militar, como se fazia antigamente.

Na comemoração do V Centenário de Santa Teresa teve leitura de poesias...
... e canto coral: eventos muito emocionantes.


Em outubro houve muita festa por aqui: além das comemorações do V Centenário de Santa Teresa também é aniversário de nosso museu e recebemos muitos amigos que nos prestigiaram: no dia 17, uma leitura de poesias de Santa Teresa e outros importantes autores espanhois de todos os tempos por parte do grupo "Poesia no Parque" foi o destaque. No dia 18, data de nosso aniversário, tivemos o prazer de receber o coral "Encanta Santa", cuja performance inesquecível ficará retida em nossos imagens e sons de nosso museu. Há muito tempo a casa de Benjamin Constant não via tanta gente curtindo arte da melhor qualidade!

A apresentação de "República - Era de Herois"

No mês da República, outro ponto alto de nosso ano: o ótimo espetáculo "República - Era de Herois" aportou em nosso parque bem no dia 15 de novembro. Com bom humor, conteúdo, e muito da boa música brasileira de todos os tempos, o grupo "História Através da Música" apresentou alguns dos nomes mais importantes de nossa República, aí incluindo, claro, Benjamin Constant.

E o Ballet de Santa Teresa fez sua confraternização de final de ano aqui, em nosso parque.

E quando o mês de dezembro chega a sensação é a de que muito fizemos, mas que o novo ano que já vem logo ali vai nos trazer muitos afazeres, notícias, histórias e descobertas. Esperamos contar com sua presença, seja fazendo caminhadas em nosso parque, seja visitando nosso museu casa, seja lendo nosso blog, seja interagindo através de nosso Facebook. Vamos nos conectar?

Desejando a todos um FELIZ NATAL 
e um ANO NOVO da melhor qualidade!

Nota Importante: estaremos em RECESSO nas mídias sociais entre 24/12/2015 a 15/03/2016.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Fim de ano do Ballet de Santa Teresa em nosso parque

Vania Farias dá início à confratenização do Ballet de Santa Teresa em nosso parque
com uma pequena apresentação da orquestra da instituição.
Foi no último sábado, dia 19 de dezembro, sob um calor escaldante - ainda que uma brisa fresca soprasse vez em quando - o encerramento das atividades do ano no Ballet de Santa Teresa: ONG das mais competentes e ativas de toda a cidade, um dos orgulhos de nosso bairro, nosso parceiro de Santa Rede. E que ano!

Ouça um pouquinho do que teve por aqui...



Dedicado ao V Centenário de Santa Teresa de Ávila, foram 12 meses de muito trabalho, esforço e contentamento para o Ballet. Desde o princípio a ideia era a de comemorar usando todas as formas de expressão artísticas que são utilizadas pelas crianças diariamente no espaço do Ballet. Sob a coordenação incentivadora de Vania Farias, alunos, professores, colaboradores e amigos se esmeraram em fazer e apoiar.

Primeiro que tudo foi criado um painel com Santa Teresa: com um lindo significado bem em seu centro, onde o rosto da santa deveria aparecer surgiu um espelho, mostrando que, cada um de nós, tem um "Castelo Interior" a construir. O painel foi apresentado durante o 25º Arte de Portas Abertas, em julho, depois peregrinou por instituições do bairro durante as comemorações em outubro do V Centenário de Santa Teresa em nosso bairro (veja aqui). Finalmente ele esteve na festa de encerramento das atividades do Ballet neste ano.

Pais, irmãos, primos e amigos dos alunos estiveram presentes na festa.


Aos ensaios para apresentação do espetáculo "O Castelo de Teresa" - com orquestra e corpo de baile do ballet - somaram-se compromissos vários, como os de estar presente aos eventos de 30 anos do Projeto "Criança Esperança" da Rede Globo de Televisão. Pela segunda vez o Ballet foi selecionado como uma das instituições que receberam doações diretas do projeto pois apresenta ótimos resultados já reconhecidos tanto pela Unesco como pela Rede Globo, parceiros na iniciativa.

Os pequenos autores do livro "Nosso Castelo Interior" autografaram cada exemplar.



E agora, o registro do ano: o livro "Nosso Castelo Interior" foi lançado na festa em nosso parque. Organizado pela professora Luciene Marcelino a publicação conta com textos, poemas e desenhos das crianças do Ballet e ainda fotos do desenrolar das atividades de 2015. Autografado pelo "time" de autores, circulou de mão em mão, para admiração de pais, irmãos e amigos, numa bela celebração.

E, depois de distribuídos, os livros foram "vorazmente folheados" por adultos e crianças!


A orquestra executou músicas natalinas, as meninas do Pré Ballet mostraram uma bela coreografia e houve até um lanchinho de Natal. Muita diversão e um belo congraçamento em torno das realizações do grupo. Parabéns ao Ballet!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Colaboração entre museus: os 150 anos da Guerra do Paraguai

"La Paraguaya", obra de Juan Manoel Blanes é tido como um dos mais emblemáticos registros
do pós guerra no Paraguai. A desalento da personagem demonstra o desafio enfrentado
pelas mulheres paraguaias para reerguer o país.


Como parte do projeto de integração cultural que está realizando com o país vizinho, o Museu da Inconfidência oferece ao grande público a exposição "150 Anos da Guerra da Tríplice Aliança: Distintas Visões". Para tanto, além de extensa pesquisa sobre o conflito - mais conhecido como Guerra do Paraguai, em cujas fileiras de soldados esteve nosso patrono, Benjamin Constant - a curadoria da mostra reuniu um conjunto de obras de quatro museus do IBRAM - Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional, Museu Imperial e, de nosso museu - de modo a dar uma completa visão sobre o que foi o conflito, suas origens e consequências. Peças do Centro Cultural de La Republica Cabildo, do Paraguai também compõem a cena.

A Guerra do Paraguai se estendeu entre dezembro de 1864 e março de 1870 e foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança – Brasil, Argentina e Uruguai, é também chamada de "Guerra da Tríplice Aliança" e de "Guerra Grande", no Paraguai. O presidente do Paraguai à época, Francisco Solano López, ordenou a invasão da província brasileira do Mato Grosso e logo em seguida o conflito se alastrou. Seu temor era de que o Império brasileiro e a República Argentina viessem a desmantelar os países menores do Cone Sul.

A tradicional foto de Benjamin Constant de farda, na mostra do Museu da Inconfidência.


Convocado em 1866, Benjamin Constant nesta época lecionava em algumas escolas, incluindo as militares, e tinha como patente a de tenente coronel do exército. Foi convocado a servir no Paraguai na Comissão de Engenheiros, deixando sua esposa Maria Joaquina grávida de sua segunda filha, Adozinda, em companhia de sua primeira filha, Aldina, então com 2 anos, no Rio de Janeiro. É extensa sua troca de correspondência neste período, tanto com a Maria Joaquina quanto com seu sogro, Claudio Luis da Costa, além de seus irmãos e amigos. E desses relatos da situação dia a dia no front paraguaio nasceu o livro "Cartas da Guerra", de Renato Lemos. Nele fica registrada toda a angústia de Benjamin por estar longe de casa, da família, das salas de aula e de seus alunos, além de passar pelos percalços de uma frente de batalha. Depois de um ano de muito sofrimento retorna ao Rio por ter caído doente com Malária, da qual nunca se recuperou, sendo esta grande parte responsável por seus problemas de saúde durante toda a vida.

Reunindo obras como a reprodução da tela "La Paraguaya" do pintor uruguaio Juan Manoel Blanes, diversas fotografias originais da época que retratam detalhes do conflito, além de objetos e documentos, a mostra também contempla o lançamento de livros sobre o período, alguns saraus de música e atividades infantis.

Um aspecto da exposição em Ouro Preto.
Segundo Elaine Carrilho, diretora de nosso museu, a oportunidade foi das melhores para exibirmos conteúdo de nosso Arquivo Histórico, onde os documentos de Benjamin Constant estão guardados em fundo (subdivisão) de mesmo nome. Nesta subdivisão, a série "Guerra do Paraguai" possui documentos e cartas de Benjamin no período, e dela foram extraídos os originais das cartas de Benjamin durante o conflito para exibição na mostra. De nosso acervo fotográfico, a famosa fotografia em farda militar também foi enviada.

Trata-se de uma exposição bem completa, onde diversos aspectos do conflito que vitimou praticamente toda a população masculina adulta do Paraguai feneceu, restando à população feminina o encargo de recuperar o país em todos os aspectos. Mas a guerra também deixou seus efeitos nos países ditos "vencedores", nem todos positivos. Certamente um capítulo da história da América Latina que ainda precisa de maiores pesquisas e reflexões.

Serviço:
Exposição 150 Anos da Guerra da Tríplice Aliança: Distintas Visões
Curadoria: Margareth Monteiro, Janine Ojeda, Aldo Araújo e Eva Pereyra
De 4 de dezembro 2015 a 28 de fevereiro de 2016
Terça a domingo das 10h às 18h
Museu da Inconfidência
Sala Manoel da Costa Athaide - Anexo I
Rua Vereador Antônio Pereira, 33, Centro Histórico de Ouro Preto - MG

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

"Coleção Museus do IBRAM", 2º volume: o Museu Casa de Benjamin Constant

Com projeto gráfico bem atual, o 2º volume da "Coleção Museus do Ibram"
traz um bom recorte das histórias de nosso museu.

Lançado recentemente, o segundo volume da novíssima "Coleção Museus do Ibram" traz à baila tudo que envolve nosso museu casa: desde a fase de habitação por parte do heroi republicano que viria a ser homenageado justamente através da manutenção da casa em que viveu, até os dias de hoje, quando aqui estamos para dar continuidade a memória de seu habitante mais ilustre, Benjamin Constant.

A 1º edição tem formato de pequeno guia, com ilustrações de nosso acervo.

Trata-se de publicação leve, composta a várias mãos, que traz os pontos principais a cerca da vida de Benjamin Constant, sua ligação com o Positivismo, sua alma de professor, a participação no Processo Republicano e sua família - para quem sempre viveu. Traz também um pouco da história da casa - chácara no século XIX com ilustrações esquemáticas do parque e do museu, e do acervo que guarda. Um verdadeiro "guia rápido" para quem aqui está a se movimentar com facilidade e até conhecer um pouco do entorno do museu.

Uma leitura leve e objetiva, para que se conheça um pouquinho quem foi
Benjamin Constant e como era sua última residência.


Objetivando ser mais um meio de divulgação dos museus do IBRAM, a publicação pode complementar uma visita a nosso museu: ao visitar os espaços onde Benjamin Constant e sua família viveram, pode surgir no visitante a vontade de saber um pouco mais. Se for o seu caso, solicite.

Update 11/01/2016 - Se desejar, faça o download do caderno através deste link.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Acervo documental da Igreja Positivista é reconhecido pela UNESCO

Na fachada da Igreja Positivista aqui no Rio, um dos seus lemas.

Conforme falamos neste post, fomos chamados a colaborar com a recuperação da Igreja Positivista,, o que nos levou a participar de alguns eventos, ações e pesquisas dentro do acervo da igreja, que se encontra bastante degradado. Uma "força tarefa" composta por representantes do IBRAM, IPHAN, INEPAC e da Superintendência de Museus do Estado do Rio de Janeiro se comprometeram com a recuperação manutenção deste marco da memória de nossa cidade - e também de todo o país.

Nosso historiador Marcos Lopes (à esquerda), analisando um documento
que poderia ser incluído no "Memória do Mundo".

Também chamada "Templo da Humanidade", o telhado da igreja sofreu um desabamento de uma de suas partes em 2009, e desde então seu acervo corre sério risco de se perder definitivamente. Como o espaço já é tombado como Patrimônio Cultural Brasileiro nas três esferas de poder - municipal, estadual e federal - vários órgãos da cultura se envolveram nesta empreitada, que já rendeu frutos!

Uma das publicações da Igreja Positivista Brasileira, à época de sua criação,
incluído no grupo de documentos do "Memória do Mundo".


Uma das primeiras ideias foi a de inscrever o acervo da Igreja Positivista no edital Memória do Mundo, da UNESCO. O trabalho de leitura, catalogação e apresentação foi realizado pela equipe multidisciplinar e contou com servidores e estagiários do IBRAM, IPHAN, INEPAC e da Superintendência de Museus do Estado do Rio de Janeiro. O material selecionado é um conjunto de publicações produzidas pela IPB entre a época de sua fundação (cerca de 1881) e meados do século XX, e foi apresentado à entidade internacional sob o título de “República e Positivismo: A Produção Intelectual da Igreja Positivista do Brasil”.

E deu certo! O Comitê Nacional do Brasil do Programa Memória do Mundo da UNESCO (MoWBrasil) anunciou os vencedores em 23 de setembro e entre eles estavam os documentos da Igreja Positivista. Agora, esse conjunto de obras é considerado um acervo com valor de patrimônio documental da Humanidade!

Segundo nota do blog da Igreja Positivista, "trata-se de um registro excepcional da irradiação do positivismo em território nacional. O reconhecimento de seu grande valor documental representa um passo importante para a IPB, cujos esforços têm se concentrado na preservação, restauro e divulgação destes acervos, em estado de conservação precário desde o desabamento do telhado de sua sede, o Templo da Humanidade, ocorrido em 2009."

No próximo dia 10 de dezembro, no Arquivo Nacional, aqui no Rio, haverá a cerimônia de entrega do certificado de nominação no Registro Nacional do Brasil aos acervos nominados em 2015.

Fazemos votos que esse patrimônio esteja ainda mais protegido e fortalecido, de modo a conservar um pedaço importante da história de nosso país.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O dia da bandeira


Hoje, 19 de novembro, comemoramos o Dia da Bandeira. Para registrarmos a data, criamos esta singela homenagem, com um belo poema do escritor Murillo Araújo e algumas imagens interessantes com este símbolo nacional tão importante e tão caro a nosso Museu.


Considerada a maior do mundo, a impressionante bandeira da Praça dos Três Poderes em Brasília tem cerca de 286 metros quadrados e é hasteada solenemente todo primeiro domingo do mês em mastro com 100 metros de altura.

Alpinistas brasileiros chegam ao topo do Monte Everest, o mais alto do mundo, localizado no Himalaia, e registram o feito com foto de nossa bandeira. 


O Papa Francisco, em visita oficial, ao lado de nosso símbolo Auriverde.



Sir Paul McCartney, em show no país, conquistando o público com ela.



Em "suporte improvisado", popular monta uma bandeira nacional com fitas.



COM AS ESTRELAS NATAIS

Murillo Araújo

Alta, nas nuvens e nos ventos, alta,
no turbilhão se enrola e se levanta.
Como a bandeira de heroísmo salta!
Como a bandeira de heroísmo canta!

Ondeia audaz. Sonha nos grandes mastros
por entre incandescências de arrebóis.
Vibram em suas asas de ouro e de astros
as almas legendárias dos heróis.

Oh contemplar assim, por toda a vida,
os seus clarões sublimes e supremos!
Resplende, em sua rama enflorescida,
o céu de estrelas sob o qual nascemos.

No exílio… à morte, pela terra imensa,
possamos vê-la rútila e imortal…
e se a tivermos sobre nós suspensa
nós dormiremos sob o céu natal.

Retirado de "A Estrela Azul: poemas para crianças", 1940 em "Poemas Completos de Murillo Araújo"

terça-feira, 17 de novembro de 2015

República de Herois no 15 de novembro

O grupo "musical teatral e historiador" pronto para começar a apresentação.

Conforme anunciamos no post anterior, no último domingo, dia 15 de novembro, Proclamação da República, recebemos o grupo História Através da Música que fez uma leitura dramatizada de seu espetáculo "República - Era de Heróis" aqui em nosso parque. Foi mais uma apresentação bela, emocionante e muito cultural, onde a música popular brasileira - mais notadamente o samba e o chorinho - contou um pouco de nossa história com facilidade.

Composições de músicos como Orestes Barbosa, Noel Rosa, Aldir Blanc, Chico Buarque e sambas de enredo de escolas de samba famosas tais como a Mangueira, a Em Cima da Hora e a Imperatriz Leopoldinense passaram pelas vozes e instrumentos dos músicos deixando claro que compositores de todos os tipos sempre encontraram inspiração em nossa história para criar lindas partituras.

O espetáculo em cartaz no Centro Cultural da Justiça Federal.

Além dos números musicais, personagens importantes tais como Tiradentes, Getúlio Vargas e - é claro - Benjamin Constant, foram "incorporados" pelo ator Gustavo Arthiddoro, para dar seus "recados", há muito esquecidos . Veja abaixo um trechinho de Benjamin Constant falando sobre a Guerra do Paraguai.


O historiador Romney Lima fez uma série de incursões balizando música, teatro e história, explicando as referências a uns e a outros de forma muito clara e concisa. E o grupo continua se apresentando até o próximo dia 20 de dezembro no Centro Cultural da Justiça Federal, aqui no Rio. O show é "Rio, Histórias Além do Mar" que, na mesma linha de "dramaturgia musicada" do espetáculo que aconteceu em nosso museu - associa mais facilmente, tanto para jovens quanto para adultos, a linha do tempo da história. Recomendamos!

Nossa diretora Elaine Carrilho, ao fim do espetáculo, fala sobre a 
importância de se manter espaços culturais e sobre Benjamin Constant.


Serviço:
Espetáculo "Rio, Histórias Além do Mar"
Com o grupo História Através da Música
Centro Cultural da Justiça Federal
De sexta a domingo às 19h
Até 20 de dezembro

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A República e o Rio: comemorando a Proclamação


São muitos os motivos pelos quais a República brasileira teve início na chamada "Cidade Maravilhosa", o Rio de Janeiro. Obviamente que "a história estava aqui", e isso já seria motivo suficiente para tanto. Mas, tendo sido transformado de colônia portuguesa a país independente nas margens de um rio paulista, o Brasil poderia. em tese, ter se tornado República em outro ponto do território nacional.

Mas não foi assim e temos todo o processo republicano se passando aqui mesmo, em nossas ruas, em nossos bairros. Uma herança grande e forte que lembra a cidade no ano de 1889, fim do século XIX. Capital do Império e com vocação para muito mais, foi aqui que tudo aconteceu. Temos portanto uma ligação muito forte entre cidade e acontecimento, entre lugar e pessoas, entre época e fatos.

O grupo "História Através da Música".
Daí que, para comemorarmos os 126 anos da Proclamação desta República muito discutida - naquele então e agora - buscamos o grupo "História Através da Música", que trouxe o espetáculo "Rio, Histórias Além do Mar", para se apresentar em nosso parque, bem no dia 15, data da proclamação.

Nascido em 2001 no Rio de Janeiro, o grupo é fruto de encontros, reflexões e debates entre professores de História que têm a Música Popular Brasileira – especialmente o samba e o choro – como objeto de estudo e pesquisa. A proposta inicial foi a de ensinar História do Brasil tendo a música como principal ferramenta didática e motivadora de aprendizagem. Mas este pensamento cresceu, transformando-se em um projeto educativo cultural que conta atualmente com nove integrantes, a maior parte músicos, sendo dois deles professores de história.

Trata-se de uma verdadeira aula espetáculo que tem a História do Brasil como tema. O trabalho do grupo preza pela teatralidade, com a inclusão de literatura, poesia e até artes plásticas na construção dos espetáculos. Em cerca de 80 minutos o grupo toca sambas e choros que seguem uma linha temática dentro da História de nosso país, com a participação do público, inclusive.

O grupo em cena, interpretando "Rio, Histórias Além do Mar".

Rio, Histórias Além do Mar” é um “espetáulaco” (misto de espetáculo e aula) que vai da história da cidade - lembrando a comemoração de seus 450 anos - aos herois da república. O personagem "Crioulo Doido" (interpretado por Gustavo Arthiddoro) é o cicerone do espetáculo: símbolo do carioca de espírito alegre, que faz troça com a própria desgraça, questiona e critica pelo humor, como fazem a maioria dos compositores escolhidos para o repertório apresentado. Mas muitos outros personagens virão ter com o público durante o espetáculo.

E fazemos o convite a vocês: no próximo domingo, dia 15 de novembro, à tarde, venham conhecer um pouco mais da nossa história dentro de um ambiente cheio delas. Não perca!

Serviço: 
Espetáculo "Rio, Histórias Além do Mar
Parque do Museu Casa de Benjamin Constant
Dia 15 de novembro, domingo, às 14h30