quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Água para todos

A palestra de Pablo del Arco em nossa área verde: muitos interessados.

A chamada "crise hídrica" tem dominado o noticiário nacional - sem esquecer de citar exemplos de escassez ou falta de água em diversos lugares do mundo - e também perpassa o dia a dia das universidades e seus acadêmicos, pesquisadores e empresários, e muitos especialistas em climatologia ou em novas formas de captação ou de economia de água. Todos trabalhando de modo intenso numa crise que parece ser a principal, dentre as várias decorrentes do desequilíbrio ecológico pelo qual o planeta passa. Água é base para a vida, todos sabem. E, do valor pago pelo abastecimento - que vem aumentando continuamente - até a falta do bem precioso na torneira de casa, tudo preocupa ao cidadão comum.

Pensando nisso, inúmeras associações e organizações vêm participando ativamente da pesquisa e da experimentação de alternativas de captação de água, mormente da chuva, que pode ser aproveitada em várias atividades domésticas - descarga de banheiros, limpeza de pisos e calçadas, rega de canteiros e jardins, lavagem de carros, entre outras que representam cerca de 50% do consumo de água nas cidades. E um grupo pequeno de pessoas já possui algumas soluções bastante razoáveis neste terreno. É o caso do coletivo carioca "Águas de Março", formado por profissionais de engenharia e construção civil, entre outras áreas pertinentes. Durante a última Semana de Museus, em maio deste ano - como você pode ver neste post - tivemos uma palestra inicial sobre o assunto, sobre a qual nos fala Pablo del Arco, participante do grupo e facilitador presente deste pequeno encontro. Confira:

" 'Águas de Março' é o nome fantasia da Rede Carioca de Captação de Água de Chuva. Somos um coletivo que tem por objetivo principal divulgar e implementar tecnologias de captação de água de chuva de baixo custo no Rio de Janeiro e redondezas. Acreditamos que desta forma podemos contribuir a um maior empoderamento dos cariocas na gestão dos seus recursos hídricos, e a uma maior resiliência da cidade e de seu entorno ao problema.


A essência do sistema de captação: a água de chuva é coletada na calha, as folhas e
outros resíduos são descartados num filtro, as primeiras águas de cada chuva - que
limpam a atmosfera e o telhado - são descartadas automaticamente, e o resto
da água, de melhor qualidade, é armazenada no reservatório.

Participamos da Semana de Museus, que teve como tema "Museus para uma Sociedade Sustentável", através de uma apresentação no Museu Casa de Benjamin Constant, em parceria com a Rede Ecológica de Santa Teresa.

Na conversa foi abordada a relação entre o nosso papel como consumidores, o desmatamento, a mudança do clima e a crise hídrica. Neste contexto, foi introduzido o conceito de "Água Virtual" como ferramenta para guiar nossas escolhas de consumo, assim como algumas tecnologias de redução do consumo doméstico de agua.


Um reservatório simples como este serve para acumular a
água da chuva reaproveitando-a em qualquer residência.

Apresentamos o papel empoderador dos sistemas de captação de agua de chuva, como ferramenta para aumentar a resiliência da população perante a falta de água. Foram apresentadas também as bases técnicas para se desenhar um sistema de captação de água de chuva tecnicamente correto (seguindo a NBR 15.527:2007 da ABNT). Finalmente foi brevemente explicada a tecnologia de captação de agua de chuva de baixo custo que utilizamos, além da indicação de alguns links e referências para os presentes."

O filtro e o sistema de descarte de aguas pluviais.




Foi muito proveitoso saber que novidades e soluções para a crise que se apresenta à nossa porta neste momento, e que se configura como grande ameaça em tempos de seca - seja no inverno, seja no verão - já estão disponíveis e sistematicamente organizadas de modo a disseminar este conhecimento para todos. Foi um prazer (e um alívio!), receber a palavra do "Águas de Março" em nosso parque. Teremos outras ocasiões como esta. Aguarde!

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Recuperando a memória Positivista

Marcos Felipe de Brum Lopes 

A Igreja Positivista ou Templo da Humanidade: aqui no Rio situada à Rua Benjamin Constant,
no bairro da Glória, vizinho a Santa Teresa, onde fica a casa em que viveu
o Fundador da República.

O museu é uma das clássicas instituições que criamos para preservar os vestígios do que fomos, do que somos e do que podemos nos tornar. Não somente voltados para o passado, os museus são hoje lugares plurais, abertos às inovações e com missões sociais. Preservamos, conservamos, mas também criamos e produzimos.

Nesta conjugação do que foi e do pode vir a ser, o Museu Casa de Benjamin Constant voltou-se, nesses últimos meses, para uma antiga parceira: a Igreja Positivista do Brasil – veja um primeiro post a respeito aqui. Muitos fatores nos aproximam desta esquecida igreja, que tenta hoje reerguer-se. Basta dizer que Benjamin Constant foi um dos fundadores do Movimento Positivista organizado no Rio de Janeiro, que daria origem ao que ficou conhecido como “Apostolado Positivista”, responsável pela construção do Templo da Humanidade, sede da igreja. A rua onde se encontra o templo chama-se Benjamin Constant, no bairro da Glória, não muito distante da casa onde residiu e faleceu o Fundador da República.

Equipes do MCBC e da Igreja Positivista junto ao busto de Benjamin Constant, em nosso museu


A Igreja Positivista do Brasil faz parte do Circuito Sítios Históricos da República, um projeto de nosso museu em parceria com o Museu da República, que tem como tema a história republicana mediada pelos lugares de memória que marcaram a transição entre os regimes políticos no fim do século XIX. Isso se deve ao fato de que os positivistas assumiram como missão a organização da república brasileira, opinando publicamente sobre diversos assuntos de interesse social, como a separação entre a Igreja e o Estado, a liberdade de culto religioso e o casamento civil. Como tinham vários representantes na elite política, os positivistas tiveram um papel relevante nas primeiras décadas da era republicana.

Tombado como patrimônio cultural Brasileiro, o Templo da Humanidade sofreu um desabamento do telhado em 2009, e desde então seu acervo corre sério risco de se perder. Para evitar um desastre maior, o Museu Casa de Benjamin Constant participou de uma força-tarefa para inscrever o acervo da Igreja Positivista no edital Memória do Mundo, da UNESCO. O trabalho foi realizado por uma equipe multidisciplinar e contou com servidores e estagiários do IBRAM, IPHAN, INEPAC e da Superintendência de Museus do Estado do Rio de Janeiro.

O trabalho, já em andamento.

Nesta primeira fase, catalogamos as publicações feitas pela Igreja Positivista - que revelam sua peculiar produção intelectual, desde discussões filosóficas até questões práticas para a sociedade, como a vacinação obrigatória no início do século XX. Este é o conjunto de documentos que concorre ao edital da UNESCO, uma chancela importantíssima para que o acervo do Templo da Humanidade seja preservado de maneira ideal.

O Museu Casa de Benjamin Constant firmará, ainda em 2015, um Acordo de Cooperação com a Igreja Positivista do Brasil, para tratamento do acervo documental e produção de um inventário para futuras pesquisas. Temos orgulho de poder cumprir com nossa missão institucional, que é a de divulgar e pesquisar o contexto no qual viveu Benjamin Constant e cooperar com outras instituições em projetos de preservação do patrimônio. Assim, nos voltamos para documentos do passado, mas com o objetivo de produzir novas possibilidades de conhecimento, a partir de novas ferramentas e novos questionamentos.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Um final de semana de muita criatividade!

Pesquisa e fotos: Ariana Santos e Yasmim Silveira 
Técnicas em turismo

Argila, pigmentos coloridos, pinceis e papel foram os materiais utilizados
na Oficina de Barrogravura de Cristina Felício.


O fim de semana do Arte de Portas Abertas - evento artístico cultural organizado anualmente pela Chave Mestra - Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa - é sempre muito animado em nosso bairro: desde as centenas (quiçá milhares) de visitantes vindos de todos os pontos da cidade para visitar os ateliers dos artistas plásticos aqui instalados, até uma miríade de vendedores ambulantes que se instalam, literalmente, em todo cantinho de calçada, muita gente ligada em arte, cultura, festa, comes e bebes típicos dos boêmios bares e restaurantes daqui, e até mesmo nas barganhas oferecidas pelas lojinhas do bairro, vem passear em Santa Teresa.

Neste ano, aliando uma chuva fina com um trecho de obras no "centro nervoso" do bairro - o Largo do Guimarães - esperava-se menos gente: o que não se confirmou. Vieram todos: curiosos, turistas de longe e de perto, artistas de outros bairros, entre muitos outros. Gente interessada em coisa bonita e diferente, "garimpando" além de peças e objetos de arte, um bocado do "fruir artístico" ou, do vivenciar a arte.

Gente de todas as idades esteve presente na Oficina de Barrogravura,
criando a matriz em barro e a gravura em papel.

E para oferecer um pouco desta parte, tão escassa em toda a cidade, recebemos nada menos que três oficinas de arte, conforme anunciamos neste post. No sábado e no domingo (dias 25 e 26/07), à tarde, Cristina Felício mostrou como se trabalha com Barrogravura, e envolveu muita gente, de todas as idades, na criação de matrizes de argila e gravuras coloridas.

Lembrando da importância dos trabalhos feitos com as mãos, Cristina informou que está de mudança entre ateliers localizados aqui mesmo no bairro, e que viu na oficina uma oportunidade de dividir seu conhecimento, além de doar todos os materiais necessários à atividade, pois eles não serão mais utilizados em seu novo endereço, a Casa Amarela. Mariá Rocha, uma das participantes da oficina, disse estar feliz em "descobrir outras técnicas artísticas", já que trabalha com materiais reciclados na criação de bijuterias e outros objetos.

Uma das participantes da oficina de domingo à tarde exibindo
seu "Painel Poético" criado na oficina: retalhos, agulha, linhas e criatividade.  

No domingo, o trio formado pela artesã e bordadeira Miriam Freitas, e pelas arte educadoras Beth Araújo e Martha Loureiro do Ateliê Baú de Panos, comandou duas outras oficinas: pela manhã foi a vez dos menores se ocuparem de retalhos, linhas, botões e outros aviamentos para criarem brinquedos de pano. À tarde os mais velhos se inspiraram em Santa Teresa para criarem "Paineis Poéticos" igualmente com tecidos reaproveitados.


O grupo trabalha com reaproveitamento de retalhos, a maior parte vindos do trabalho no atelier de moda e arte, mas aceita doações de materiais de costura para realizar regularmente oficinas em escolas municipais através do programa "Segundo Turno Cultural", realizado em parceria com as secretarias de Cultura e de Educação do município, entre outros espaços. O projeto estimula a imaginação e interatividade, engajando pessoas de todas as idades, e abre espaço para a criação de verdadeiras maravilhas com materiais, à primeira vista, sem utilidade e destinados ao descarte. Daí saem bonecas, jogos e livros de pano, painéis decorativos, acessórios infantis, tudo concebido com retalhos e com a criatividade dos participantes, orientados pelas três entusiasmadas artistas professoras.

Bonequinhos feitos pelas crianças da Oficina de Brinquedos de Pano.


Martha Loureiro afirmou que foi sua primeira participação no evento "Portas Abertas", e que gostou muito de participar, percebendo grande interesse por parte do público que aqui esteve, e que pretende voltar nos próximos anos.

O resultado das oficinas foi tão positivo, que já estamos pensando numa próxima vez. Afinal de contas o "Portas Abertas" só acontece uma vez no ano, mas nossa criatividade está presente o ano inteiro, brotando como pode entre momentos de trabalho, estudo e outras obrigações do dia a dia.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Curiosidades do século XIX: mechas de cabelos

Cabelos de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, cortados por ocasião
de sua morte, em 1891.

Um dos itens guardados em nosso acervo bastante curiosos são as mechas de cabelos dos membros da família de Benjamin Constant. Encontramos várias, identificadas ou não, elementos de uma época em que era uma tradição guardar um "pedacinho" da pessoa, do que apenas sua lembrança. Fato é que os cabelos sempre foram ligados ao misticismo, aos ritos e crenças religiosos tradicionais ou pagãos, à vida e à morte do ser humano. Dos músculos de Sansão - cujos cabelos eram como um "concentrador de forças" - às tranças - que eram verdadeiras cordas - feitas dos longos e claros cabelos de Rapunzel, o mito é bastante conhecido, reconhecido e - ainda hoje - alimentado.

Mecha de cabelos de Maria Joaquina, viúva de Benjamin Constant,
cortada por ocasião de sua morte em 1921.


Em sua tese de doutorado "Tramas de afeto e saudade: em busca de uma biografia dos objetos e práticas vitorianos no Brasil oitocentista", a professora Irina Santos explica que, "os cabelos tornaram ímpares os indivíduos e passaram a figurá-los. Cachos ou mechas cortadas das cabeleiras foram guardados e dedicados como relíquias raras e valiosas, (...)como parte imutável do corpo de uma pessoa querida e testemunho de momentos e vínculos afetivos."

Mecha dos cabelos do Dr. Claudio Luiz da Costa, sogro de Benjamin Constant.


Outra explicação sobre este hábito foi dada pelo professor de Mitologia, Astrologia e Artes Cid Marcus em seu blog: "uma tradição importante é a que liga os cabelos e as unhas ao poder vital e à força do homem, neles se concentrando as virtudes e propriedades do ser. Para muitos, essa tradição está na base do culto das relíquias de santos e o costume de conservar, como lembrança, uma mecha de cabelos que tenha pertencido a um ente amado ou os primeiros dentes de leite de uma criança.". Falando nisso, encontramos em nosso acervo, várias mechas dos cabelos das crianças da família.

Mecha dos cabelos de Olympia Costa Gonçalves Dias, viúva de Gonçalves Dias,
cunhada de Benjamin Constant.

Neste post destacamos apenas algumas delas para chamar a atenção sobre este hábito que remonta a séculos - pois a guarda de fios de cabelos existia desde a antiga civilização clássica grega. No entanto, o costume não teve continuidade no século XX: segundo a conclusão da tese da professora Irina "com o passar do tempo, o cabelo não voltou a ser considerado material adequado para significar as relações de afeto entre as pessoas, tampouco material conveniente para a confecção de objetos elegantes. O nojo a este material veio afastando os objetos de afeto e saudade do cotidiano e do que veio sendo considerado normal e de bom gosto, e os aproximou do bizarro ou excêntrico." E, de fato, atualmente, tornou-se "bizarro e excêntrico" ao menos observar este costume tão antigo.

Notas:
1 - Leia aqui um interessante post sobre uma caderneta feita por Maria Joaquina, esposa de BC, para presentear seu marido, que continha fios de seus próprios cabelos;

2 - A tese da professora Irina Santos deu destaque a esta caderneta confeccionada por Maria Joaquina, já que se trata de uma peça que registra um hábito do século XIX. Em visita a nosso Museu, a professora pode avaliar de perto esta verdadeira "joia de afeto", ou seja, um objeto confeccionado intencionalmente para manter vivas as recordações de uma relação afetiva, das mais importantes de nossa história.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Oficinas de arte durante o 25º Arte de Portas Abertas

CONVITE do 25º Arte de Portas Abertas,  que acontece no próximo
final de semana aqui em Santa Teresa. Clique para ver maior.

Já é tradicional em nosso bairro, todos sabem: no meio de cada ano, em um determinado final de semana, os artistas de Santa Teresa, abrem as portas de seus ateliers para receber o público de toda cidade - e também muita gente de fora dela - para exibir sua produção, trocar ideias e experiências, compartilhar conhecimentos, enfim, realizar um verdadeiro "Acontecimento Cultural" que já faz parte do calendário turístico do Rio de Janeiro. Apoiando a Chave Mestra - Associação dos Artistas Visuais de Santa Teresa, que organiza o evento - nosso Museu será um dos espaços que acolherá um pedacinho da programação.

Parte da programação do evento. Clique para ver maior.

Neste ano receberemos três oficinas de arte, voltadas para todas as faixas etárias, no sábado e no domingo próximos, dias 25 e 26 de julho, quando o famoso 25º Arte de Portas Abertas vai acontecer. Confira abaixo todos os detalhes:

* OFICINA DE BRINQUEDOS DE PANO
Com Martha Loureiro e Miriam Freitas
Público alvo: crianças de 5 a 10 anos.
Domingo, dia 26/07, das 10h às 12h, no Caramanchão do Parque
 
A Oficina de Brinquedos de Pano desenvolve de forma lúdica a construção de brinquedos com reaproveitamento de tecidos e diversos materiais, resgatando culturalmente algumas brincadeiras e brinquedos esquecidos e incentivando o convívio e a participação em atividades de grupo.


Exemplo de um Painel Poético.


* OFICINA ARTE EM PANO - PAINEIS POÉTICOS
Com Beth Araujo e Martha Loureiro
Público alvo: crianças, jovens, adultos e idosos a partir de 10 anos.
Domingo, dia 26/07, das 14h às 17h, na Varanda da Casa de Bernardina - Sede do Museu

A oficina de Arte em Pano – Paineis Poéticos é um trabalho surpreendente e belo feito com tecidos os mais diversos e elaborados sob a orientação das artistas e arte educadoras Beth Araujo e Martha Loureiro. Acreditamos que esta iniciativa seja uma forma de ampliar o conhecimento e incentivar a criatividade já que os paineis são confeccionados com reaproveitamento de materiais inusitados para muitas pessoas.

CONTATOS:
Beth Araújo - (21) 98377-6530
Martha Loureiro - (21) 99620-9536
E-mail: bethfaraujo@yahoo.com.br

-----------------------------------------------------------------------------------------------------

* OFICINA LIVRE DE BARROGRAVURA
Com Cristina Felicio dos Santos
Aberto ao público.
Sábado, dia 25/07 e domingo, dia 26/07, das 15h às 17h, no Caramanchão do Parque

A oficina de Barrogravura é um projeto lúdico, que inclui contação de estórias, confecção de placa de argila sobre lona no chão, impressão da placa com os pés e as mãos e reprodução da grafias em papel e tecido com argila colorida.

CONTATO:
Cristina Felicio dos Santos - (21) 98123-0485 ou (21) 2508-9661
E-mail: cristinabarrogravura@yahoo.com.br

Serviço:
25º Arte de Portas Abertas

Ateliers abertos nos dias 25 e 26 de julho de 2015, das 10h às 18h
em todo o bairro de Santa Teresa

As oficinas acima terão lugar em nosso parque, que fica na
Rua Monte Alegre, 255 - Santa Teresa
Tel.: (21) 3970-1168 ou (21) 3970-1177

A programação poderá ser alterada e/ou cancelada em função das condições climáticas

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Jornada Técnica de Preservação e Conservação

O convite para a 19ª Jornada Técnica do Museu Histórico do Exército.


Seguindo a tradição de todos os anos, o Museu Histórico do Exército - em parceria com a sociedade museológica da cidade - realizou, no último dia 23 de junho, sua 19ª Jornada Técnica. Neste ano os temas abordados foram a preservação e conservação de acervos museais e nosso museu foi convidado a participar, demonstrando como são executadas as rotinas ligadas a estas atividades em nosso museu casa. Nossa diretora, a museóloga Elaine Carrilho proferiu palestra sobre o assunto no auditório do Forte de Copacabana, que atraiu profissionais e estudantes da área.

Elaine Carrilho, durante palestra no auditório do Forte de Copacabana.


O tema da palestra não poderia ser outro: "A Reserva Técnica do Museu Casa de Benjamin Constant - um estudo de caso", a qual apresentou particularidades de nossos acervos documental, bibliográfico e museológico, como é feita a guarda e a higienização dos itens envolvidos, sem esquecer de mostrar os estudos e trabalhos que vêm sendo feitos no sentido de tratar e acondicionar a Reserva Técnica. Desde a organização para abertura do Museu Benjamin Constant, no início da década de 80, as peças de menor tamanho não expostas, são guardadas dentro do mobiliário em exposição, mantendo-se para isso os devidos cuidados e medidas de segurança.

O evento foi dos melhores, prestigiado também por nossos mediadores que aproveitaram para adquirir um conhecimento maior sobre a face técnica museal de nossa entidade. A diretora Elaine Carrilho foi agraciada com a medalha comemorativa de 100 anos do Forte de Copacabana (comemorados em 2014). O público presente deu um retorno muito positivo sobre as palestras que foram proferidas por museólogos, restauradores, conservadores, estudiosos, entre outros, e renovou discussões em torno de assuntos vitais para museus, casas históricas e espaços culturais. Que venham outros momentos bons como este!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Mais um pouco sobre Alimentação Viva - receita de Suco de Clorofila

A lentilha comum e germinada: sementes como estas são a base da Alimentação Viva.


Continuando nosso último post, vamos falar mais um pouco sobre Alimentação Viva. Desta vez, um pequeno trecho que nos foi enviado por Carla Forster, instrutora formada pelo "Curso de Alimentação Viva" do Projeto Terrapia. Confira:

"Segue a descrição do alimento vivo:

Na alimentação viva, os alimentos são consumidos in natura, porque o processo de cozimento destrói grande parte dos seus nutrientes, tornando-os desvitalizados, ao contrario do alimento in natura que é rico em minerais, enzimas e vitaminas.

A base da alimentação viva é a semente germinada pois ao germinar a semente está no seu momento de maior vitalidade, proporcionando uma alimentação mais rica e de mais saciedade.


Verduras e legumes crus compõem a classe dos alimentos ditos "vivos".



Atualmente, a grande maioria do que ingerimos são alimentos desvitalizados, gordurosos e extremamente calóricos, contendo apenas 'calorias vazias'. Esse tipo de alimento só tem valor energético, mais nada. Consumindo estritamente alimentos desvitalizados, automaticamente, nosso corpo também se tornara fraco, doente e sem vida.

A Alimentação Viva busca nos reconectar à natureza, fonte primordial de alimentos. Ao reduzir o consumo de alimentos cozidos, processados, ricos em pesticidas, conservantes, açúcares e gorduras, diminuímos o risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares.
"

Quintessência da Alimentação Viva, o Suco de Clorofila deve ser
preparado com todos os cuidados preconizados por este tipo de dieta.

O Suco de Clorofila é considerado o verdadeiro "carro chefe" da Alimentação Viva. Na Internet você encontra muitas receitas dele, mas esta foi testada e aprovada por um dos centros de referência em alimentação viva. Confira:

SUCO DE CLOROFILA

Ingredientes:
2 maçãs
1 xícara de semente germinada
1 copo de liquidificador de folhas verdes aromáticas a gosto


Preparo:
Processe as maçãs no liquidificador. Extraia o sumo passando num coador de pano ou voal. Não coloque água, basta prensar a maçã com um pepino ou uma cenoura (biossocadores) para pressionar.
Devolva o sumo ao liquidificador e acrescente aos poucos as folhas verdes comestíveis como: grama de trigo — folha de abóbora — folha de batata-doce — couve — chicória - acelga — alface — agrião — hortelã — capim-limão ou outra que desejar.
Lembre-se que o objetivo é extrair o sumo verde, portanto você pode usar qualquer folha verde comestível que tiver em casa ou ainda as folhas comestíveis não cultivadas.
Acrescente a semente germinada. Coe novamente num coador de pano para retirar as fibras, pois desse modo a clorofila pode ser melhor absorvida.

Observações:
1 - Não substitua a maçã por outra fruta, pois elas interferem na absorção da clorofila. Se quiser, pode acrescentar legumes;
2 - As sementes germinadas de casca dura (muita celulose) podem ser usadas nos sucos, pois serão coadas ao final. Por exemplo: girassol, arroz e aveia com casca, painço, alpiste etc...

DICAS de PLANTAS AROMÁTICAS PARA USAR NO SUCO (em pequena quantidade):
ALECRIM (Família Labiatae) - Rosmarinus officinalis L.
ALFAVACÃO ou ALFAVACA CRAVO (Família Labitae) - Ocimum gratissimum L.
BASILICÃO (Família Labiatae) - Ocimum basilicum
CAPIM LIMÃO (Família Gramineae) - Cymbopogon citratus L. (DC) Stapf
CIDREIRA (Família Laminaceae) - Melissa officinalis L.
CIDREIRA de arbusto ou brava (Família Verbenaceae) - Lippia alba (Mill) N.E.Br.
ERVA DOCE (Família Umbelliferae - Apiaceae) - Foeniculum vulgare
ESTEVIA (Família Asteracea) - Stevia rebaudiana (Bertoni) Bertoni
FOLHA DE EUCALIPTO (Família Myrtaceae) - Eucalyptus globulus Labill
FOLHA DE LIMÃO (Família Rutaceae) - Citrus limon (L.) Burmf
HORTELÃ (Família Labiatae) - Mentha arvensis pulegium L.Mentha x villosa Huds
HORTELÃ PIMENTA (Família Laminacea) - Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng
MANJERICÃO (Família Labiatae) - Ocimum selloi Benth
MANJERONA (Família Labiatae) - Origanum majorana
ORÉGANO (Família Laminaceae) - Origanum vulgare L.
SALSA (Família Umbelliferae) - Petroselinum crispum (Mill.) A.W. Hill
SALVIA (Família Labiatae) - Salvia officinalis L.
TOMILHO (Família Labiatae) - Thymus vulgaris L.



NOTA
A instrutora de Alimentação Viva Carla Forster oferece os seguintes serviços: 
. Oficinas de Alimentação Viva Individuais ou em Grupo, Atendimento Personalizado;
. Apresentação da Alimentação Viva;
. Oficina de Suco de Clorofila/Germinação;
. Preparação de doces e tortas vivas sob encomenda para eventos.
Contato: carlasforster@hotmail.com - (21) 9 8884-6400

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Um pouco sobre Alimentação Viva

Lembrando do evento da Semana de Museus deste ano - sobre o qual você lê aqui - trazemos um pequeno vídeo gravado com os instrutores do Terrapia - Carla Forster e Messias Vital - sobre Alimentação Viva. Assista:



Só para complementar, pode-se dizer, em linguagem corriqueira, que na Alimentação Viva, nada pode ser cozido, frito ou assado e todos os alimentos utilizados no preparo das receitas são de origem vegetal. "Alimento Vivo" é o que se consome quando se opta por este tipo de alimentação, baseada em sementes germinadas, brotos e vegetais crus. Mas, para fazer uso da Alimentação Viva de verdade, é necessário realizar uma ampla reflexão sobre seu estilo de vida e seu envolvimento com os cuidados ambientais, entendendo que o ser humano é integrante da "rede da vida", e não apenas um ser que precisa se alimentar para viver. Ou seja: além de repensar o que se come, também se repensa o modo como se vive, o dia a dia que se leva, a forma como se pensa. Trata-se enfim de uma verdadeira filosofia de bem viver, que não se restringe apenas aos alimentos que consumimos.

No evento em nosso parque, Carla Forster e Messias Vital prepararam na hora
docinhos vivos com sementes germinadas e suco de clorofila: uma delícia!

O Terrapia é um projeto que nasceu dentro da FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz , aqui no Rio de Janeiro, e hoje já se tornou uma associação praticamente autônoma. Eles se definem como "uma associação criada e composta pelos próprios usuários, constituída legalmente como 'Associação Terrapia' ", que conta com o apoio fundamental e voluntário da idealizadora do projeto, Dra. Maria Luiza Branco Nogueira da Silva.

Hoje um espaço de referência em Alimentação Viva, o Terrapia desenvolve, através de práticas cotidianas, uma culinária brasileira sem cozinhar os alimentos e um modo de olhar o próprio corpo como ecossistema e meio de participação na preservação ambiental. São inúmeras atividades voltadas para este tipo de dieta, recebendo e orientando novos integrantes, visitantes e estagiários em oficinas, cursos e vivências, e na participação em eventos, convênios e parcerias.